Secretario da Defesa Civil afirma que possível ataque hacker enviou dez mensagens indevidas para milhares de pessoas

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 20/06/2026

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou neste sábado (20) que os alertas falsos enviados durante a madrugada por meio do sistema Defesa Civil Alerta têm indícios de terem sido provocados por um ataque hacker.

“Desde o final de ontem até a madrugada, o sistema da Defesa Civil Alerta sofreu ataque, tudo indica um ataque de hacker”, declarou o secretário durante entrevista coletiva.

Segundo Wolff, dez mensagens indevidas foram disparadas, sendo nove por meio do sistema Cell Broadcast e uma via SMS. As notificações continham a palavra “misantropia” ou variações do termo e foram classificadas como alertas extremos.

Sistema foi retirado do ar

Após a identificação do problema, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional determinou a suspensão temporária da plataforma.

“Prontamente, o pessoal de TI tirou nosso sistema do ar, mas as consequências estão aí. Muitos alertas foram dados em vários estados, capitais, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Brasília”, explicou Wolff.

O Cell Broadcast é uma tecnologia utilizada para enviar mensagens de emergência para todos os celulares conectados às antenas de uma determinada região, sem necessidade de internet ou cadastro prévio.

Milhões de pessoas podem ter recebido as mensagens

Embora o número exato de aparelhos atingidos ainda seja desconhecido, o secretário acredita que o alcance foi muito grande.

“Nós acionamos a PF agora pela manhã, vai ter uma investigação. Talvez o andamento dessas investigações, juntamente com a equipe de tecnologia do ministério, permita saber quantos celulares receberam esses alertas”, afirmou.

“Com certeza, milhões de pessoas foram alertadas, porque esses alertas têm capacidade de atingir milhares de pessoas ao mesmo tempo. Como foi em muitos estados, milhões receberam com certeza”, acrescentou.

Polícia Federal investiga invasão

A Polícia Federal foi acionada para apurar a origem do ataque e identificar os responsáveis.

Wolff explicou que as primeiras análises indicam que o disparo inicial teria sido realizado a partir de um cadastro associado ao Paraná.

“O primeiro alerta foi dado do Paraná. Só que dentro do nosso sistema existe uma regra: quem está cadastrado no Paraná só consegue emitir alerta para o Paraná, jamais para outros estados”, destacou.

O secretário afirmou que ainda é cedo para saber quantas pessoas participaram da ação criminosa.

“É difícil responder se uma ou mais pessoas participaram desse ato criminoso”, disse.

Suspeitos podem ter criado novos acessos

Segundo o representante da Defesa Civil, os invasores podem ter utilizado diferentes cadastros para continuar enviando mensagens após os primeiros bloqueios.

“O que parece ter ocorrido é que a pessoa ou pessoas se cadastraram e fizeram o alerta a partir de Curitiba. Depois a gente bloqueou, e essa mesma pessoa ou outras pessoas entraram com cadastro em outro lugar e dispararam novos alertas”, explicou.

Sistema só volta após reforço na segurança

O governo informou que a plataforma continuará fora do ar até que todas as medidas de segurança sejam adotadas.

De acordo com Wolff, a retomada do serviço dependerá da conclusão das análises técnicas e da garantia de que novas invasões não ocorrerão.

Ele também revelou que um sistema mais moderno e seguro já estava sendo desenvolvido antes do incidente, mas ainda não há previsão para sua implementação.


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