Galípolo afirma que Banco Central adota cautela na política monetária
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/07/2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a instituição adota uma postura cautelosa na condução da política monetária e evita reagir de forma precipitada a indicadores econômicos isolados.
Durante participação na Expert XP, festival de investimentos promovido pela XP Investimentos, Galípolo comparou a atuação do Banco Central à de um “transatlântico”, e não à de um “jet ski”, para ilustrar que as decisões da autoridade monetária são tomadas com base em um conjunto amplo de informações, e não em oscilações pontuais da economia.
Segundo o presidente do BC, o atual cenário ainda exige uma política monetária restritiva. Ele explicou que os efeitos da taxa básica de juros (Selic) sobre a atividade econômica ocorrem de forma gradual e, por isso, é necessário acompanhar diversos indicadores antes de definir os próximos passos da política monetária.
As declarações foram feitas em conversa com o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale.
O mercado financeiro acompanha as falas de Galípolo em busca de sinais sobre as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e informou que as futuras decisões dependerão da evolução do cenário econômico.
Crédito no Brasil
Ao abordar o funcionamento do mercado de crédito, Galípolo afirmou que algumas características do sistema financeiro brasileiro precisam ser repensadas. Entre os exemplos citados estão o parcelamento sem juros no cartão de crédito e a modalidade conhecida como “à vista no crédito”.
Segundo ele, cerca de 60 milhões de brasileiros utilizam o cartão de crédito sem pagar juros, seja em compras parceladas ou à vista, enquanto aproximadamente 40 milhões recorrem ao crédito rotativo, modalidade que cobra juros próximos de 15% ao mês.
Na avaliação do presidente do Banco Central, quem utiliza o crédito rotativo acaba, na prática, financiando os benefícios concedidos aos consumidores que conseguem pagar suas compras sem juros.
Galípolo também destacou que parte importante do crédito no país, especialmente o rotativo do cartão, é pouco sensível às variações da taxa Selic. Por isso, afirmou que o elevado endividamento das famílias e o funcionamento desse mercado exigem uma análise estrutural, que vai além da política monetária.
Com informações da Folha de São Paulo