Casos de hepatite A crescem em São Paulo e já superam total registrado em todo o ano de 2025

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/07/2026

O número de casos de hepatite A segue em alta no estado de São Paulo. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, foram registrados 1.880 casos da doença apenas no primeiro semestre deste ano, volume que já supera o total contabilizado em todo o ano de 2025, quando foram notificadas 1.663 ocorrências.

O avanço vem sendo registrado de forma contínua desde 2022. Naquele ano, o estado contabilizou 294 casos. Em 2023, o número subiu para 985 e, em 2024, chegou a 1.176 notificações, mantendo a tendência de crescimento até o cenário atual.

Enquanto a hepatite A apresenta aumento expressivo, os casos de hepatites B e C seguem em queda. A hepatite B passou de 2.488 registros em 2022 para 2.124 em 2025, redução de 14,6%. Já a hepatite C caiu de 3.405 para 2.722 casos no mesmo período, uma diminuição de 20,1%.

A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados, além de poder ser transmitida durante relações sexuais. A vacinação é considerada a principal forma de prevenção.

A doença afeta o fígado e, em muitos casos, pode permanecer sem sintomas por um longo período. Quando se manifesta, os principais sinais incluem cansaço, febre, mal-estar, dores abdominais, náuseas, vômitos, urina escura e coloração amarelada da pele e dos olhos.

Crescimento preocupa autoridades

Segundo a diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria da Saúde, Alessandra Lucchesi, a hepatite A é a única entre as principais hepatites virais que vem apresentando crescimento contínuo no estado.

De acordo com a especialista, diversos fatores podem estar relacionados ao aumento dos casos, como enchentes e alagamentos que contaminam a água, consumo de alimentos e água impróprios, compartilhamento de seringas e agulhas e práticas sexuais que favorecem a transmissão do vírus.

Ainda segundo Lucchesi, o número de casos registrados neste ano já supera os índices observados durante a epidemia de hepatite A registrada em São Paulo em 2017.

Apesar do aumento, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que ainda não considera o cenário como uma epidemia em todo o território paulista, já que o crescimento está concentrado em algumas regiões, como Ribeirão Preto.

Guarulhos segue sob monitoramento

Na Grande São Paulo, Guarulhos é um dos municípios que mais preocupam as autoridades sanitárias. A cidade notificou um surto de hepatite A neste ano, embora os dados mais recentes indiquem uma tendência de redução dos casos.

A prefeitura informou que o surto continua sendo monitorado e que ainda não é possível declarar oficialmente o encerramento da ocorrência.

As investigações apontam que uma possível contaminação da água está entre as principais hipóteses para a origem do surto. Entre as medidas adotadas estão o reforço da vigilância epidemiológica, investigação dos casos, orientação à população e vacinação de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados.

Vacinação

A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário nacional de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) e é aplicada em dose única aos 15 meses de idade.

Além das crianças, a imunização também está disponível para grupos específicos de adultos, como pessoas imunossuprimidas, transplantados e usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).


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