Governo volta a defender controle sobre terras raras e diz não ter ‘preferência’ por países

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 18/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o controle público das terras e dos minerais críticos no âmbito de parcerias internacionais, reforçando não ter “preferência” por nenhuma nação. O petista destacou a necessidade de investimentos nas reservas para viabilizar acordos com outros países sem entregá-las ao capital estrangeiro.

Lula participou da inauguração da ampliação do acelerador de partículas Sirius

“Nós não temos veto a ninguém. Nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras críticas são nossas. A gente quer explorar aqui dentro”, disse Lula.

O comentário ocorre em meio à disputa entre os Estados Unidos e a China por esses insumos. A declaração foi feita nesta segunda-feira (18), durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).

“A gente vai ter que contar com a ciência, inteligência e conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faz com que o Trump deixe de brigar com Xi Jinping e venha se associar a nós, para que a gente possa explorar aqui”, completou.

O Brasil é o segundo país com a maior reserva de terras raras, com 23% das reservas mundiais. Ficando atrás somente da China, que possui 49%. Protagonistas no setor, os chineses chegaram a atingir 95% da participação global em 2010.

Neste contexto, o governo norte-americano tenta diversificar as fontes de fornecimento desses minerais, o que pode ser um trabalho complexo devido ao monopólio chinês no setor.

Mesmo que o Brasil decida se desenvolver na área, sua participação no mercado ainda é pequena, com apenas 1%, segundo o Ministério da Ciência. Porém, pesquisadores entendem que o país deve realizar maiores investimentos em ciência e tecnologia.

Partículas Sirius

Nesta segunda-feira (18), Lula participou da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, nome da estrela mais brilhante do céu noturno.

Segundo o CNPEM, as linhas têm por objetivo aumentar a capacidade de pesquisa em áreas estratégicas, como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.

O acelerador de partículas Sirius funciona como um “supermicroscópio”. Diferentemente de uma câmera comum, a máquina é capaz de analisar estruturas em escala atômica.

Na ocasião, também foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. “A iniciativa visa ampliar o desenvolvimento nacional de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde, como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos”, informou o governo.

(Portal R7)


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