Compliace Zero: pai de Daniel Vorcaro e agentes da PF são alvos de busca e apreensão
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 14/05/2026
A PF prendeu Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ação faz parte da sexta fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), teve como foco integrantes da Polícia Federal suspeitos de atuar para beneficiar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, as investigações apontam que membros da organização criminosa contavam com a participação de agentes federais e operadores ligados ao jogo do bicho e apostas on-line para favorecer interesses particulares do grupo.
De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a estrutura investigada possuía dois braços operacionais, denominados “A Turma” e “Os Meninos”, responsáveis por executar ordens dos núcleos centrais da organização.
Núcleos operacionais
As apurações indicam que o grupo “A Turma” atuava em ações presenciais, como ameaças, intimidações, coerções, levantamentos clandestinos e obtenção irregular de dados sigilosos, incluindo acessos indevidos a sistemas governamentais. Policiais federais da ativa, aposentados e operadores do jogo do bicho fariam parte dessa estrutura.
Já o núcleo chamado “Os Meninos” seria responsável pelas atividades digitais, envolvendo ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal de comunicações. Integrantes com perfil hacker teriam sido contratados para executar as ações.
Segundo o documento judicial, ambos os grupos eram gerenciados por Felipe Mourão e atuavam para atender determinações atribuídas a Daniel Vorcaro e também a Henrique Moura Vorcaro.
As investigações apontam ainda que Manoel Mendes Rodrigues, identificado como operador do jogo do bicho, exerceria função de liderança no Rio de Janeiro, coordenando ações intimidatórias realizadas pelo grupo.
No núcleo digital, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos teria desempenhado papel técnico e logístico, realizando tarefas como pagamentos, aquisição de domínios na internet e apoio em monitoramentos telemáticos ilegais.
O ministro também destacou a existência de indícios de apoio patrimonial, contábil e logístico por meio de terceiros, além do repasse de informações sigilosas obtidas após consultas indevidas ao sistema e-Pol.
Afastamentos e prisões
Ainda conforme a decisão judicial, foi determinado o afastamento de uma delegada da Polícia Federal, alvo de mandado de busca e apreensão, além da prisão de um agente da corporação suspeito de vazar informações ao grupo investigado. Dois policiais federais aposentados também foram alvos de buscas.
As apurações revelaram que o grupo contratado pelo banqueiro teria acessado dados de investigações do Ministério Público Federal, da própria Polícia Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.
De acordo com os investigadores, Daniel Vorcaro teria tido acesso antecipado a diligências policiais e realizado anotações sobre autoridades e procedimentos investigativos em andamento.
Outro investigado, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como coordenador operacional do grupo “A Turma”, teria realizado consultas e extrações de dados em sistemas restritos utilizando credenciais funcionais de terceiros, o que permitia o acesso a informações protegidas por sigilo institucional.