Editorial: Avanço social ou risco econômico?

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 27/02/2026

Semana de 22 a 28 de fevereiro de 2026

A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim gradual da escala seis por um e a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas volta ao centro do debate nacional. Pronta para votação no Senado, a medida também amplia o descanso mínimo semanal para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos.

Se aprovada, a mudança ocorrerá de forma progressiva, ao longo de seis anos. Segundo estimativas apresentadas no Congresso, cerca de 38 milhões de trabalhadores contratados pela CLT poderão ser beneficiados diretamente, além de impactos indiretos em todo o mercado.

Sob o ponto de vista social, a proposta representa um avanço significativo. Mais tempo de descanso significa mais qualidade de vida, maior convivência familiar, redução do estresse e potencial melhora na saúde física e mental.

Experiências internacionais indicam que jornadas menores podem aumentar a produtividade, reduzir afastamentos e melhorar o ambiente de trabalho.

Há ainda um possível efeito positivo na geração de empregos. Com menos horas por trabalhador, empresas poderão contratar mais funcionários para manter a produção e os serviços, ampliando vagas formais e reduzindo o desemprego.

Mas é preciso olhar o outro lado da balança.

Para empregadores — especialmente pequenos e médios empresários — a redução da jornada com manutenção integral dos salários representa aumento imediato de custos.

Setores que funcionam em regime contínuo terão de reorganizar escalas, contratar mais pessoal ou arcar com horas extras. Em um país onde a carga tributária já pesa fortemente sobre a folha de pagamento, o impacto pode ser significativo.

Sem ajustes estruturais, há o risco de aumento de preços, perda de competitividade e até retração de investimentos.

Durante entrevista ao Jornal da Cruzeiro, o advogado Alexandre Ogusuku, ex-conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil, destacou que o tema precisa ser mais amplamente debatido.

Segundo ele, a proposta tem pontos positivos, mas também questões polêmicas que exigem amadurecimento técnico para evitar insegurança jurídica e efeitos colaterais na economia.

E talvez este seja o momento de ampliar o debate.

Se o país quer reduzir a jornada, estimular novas contratações e valorizar o trabalhador, também precisa discutir seriamente a redução dos encargos trabalhistas e tributos incidentes sobre a contratação formal. Não é razoável ampliar direitos sem repensar o custo que recai sobre quem gera empregos.

Uma reforma que diminua a carga sobre a folha poderia equilibrar a equação: o trabalhador ganha mais qualidade de vida, o empresário ganha fôlego para contratar, e o mercado se fortalece.

O desafio do Congresso não é escolher entre capital e trabalho. É encontrar um ponto de equilíbrio.

Melhorar a qualidade de vida do brasileiro é fundamental. Garantir que ele continue empregado é indispensável.

E assegurar que o empregador tenha condições reais de contratar, investir e crescer é parte essencial dessa mesma equação.

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