Itamaraty nega visto a diplomatas dos EUA citados em plano para questionar eleições brasileiras
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/07/2026
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto apresentados por dois diplomatas do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao Brasil antes das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro. As informações foram divulgadas pelo g1.
Segundo a reportagem, os vistos foram recusados antes da publicação de uma matéria do jornal norte-americano The Washington Post, que apontou os diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, como integrantes de uma estratégia voltada a questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
De acordo com informações obtidas pelo g1, o governo brasileiro foi informado de que a missão dos dois representantes teria caráter considerado “inusitado”. Diante disso, decidiu negar a autorização para entrada no país.
A viagem estava prevista para ocorrer poucas semanas antes do primeiro turno das eleições. Fontes da diplomacia brasileira afirmaram ao portal que o Brasil possui tradição de receber observadores internacionais durante o processo eleitoral, mas avaliaram que os dois integrantes do governo norte-americano não atuariam nessa condição e exerceriam um papel diferente.
Nos bastidores do governo federal, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva interpretaram o envio da missão como parte de uma articulação relacionada às declarações dos senadores Flávio e Eduardo Bolsonaro, que voltaram a levantar questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas. Na avaliação desses interlocutores, haveria uma tentativa de desgastar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos pelo g1, classificaram a iniciativa como “escandalosa” e “inusitada”. Para ministros da Corte, a eventual missão representaria uma tentativa de interferência externa em um tema que compete exclusivamente às instituições brasileiras.
Ainda segundo a reportagem, magistrados também defendem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se manifeste oficialmente sobre a tentativa de envio da missão norte-americana.