Durigan nega impacto do governo nos juros altos e promete ajuste fiscal para cumprir metas
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 04/07/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as decisões do governo federal não são a principal causa da manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados e garantiu que a equipe econômica promoverá um ajuste nas contas públicas para cumprir as metas fiscais estabelecidas para os próximos anos. Segundo ele, a estratégia passa pela contenção de despesas, revisão de benefícios fiscais e aumento da tributação sobre os mais ricos.
Durigan classificou a taxa Selic como o principal obstáculo ao crescimento da economia brasileira. Atualmente em 14,25% ao ano, a taxa básica de juros é considerada uma das mais altas do mundo em termos reais e, de acordo com o ministro, prejudica tanto os investimentos do setor privado quanto o aumento da dívida pública, que já representa 81,4% do Produto Interno Bruto (PIB). “Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros”, declarou.
Apesar da avaliação do governo, economistas apontam que o principal desafio está na falta de sintonia entre a política fiscal e a política monetária. Enquanto o Executivo amplia gastos e incentiva o crédito para estimular a atividade econômica, o Banco Central mantém juros elevados para controlar a inflação, cenário que, segundo especialistas, dificulta a redução sustentável da Selic.
O ministro também reafirmou a confiança no atual arcabouço fiscal, aprovado em 2023, e disse que a regra é viável e sustentável. No entanto, reconheceu que será necessário avançar em medidas de contenção dos gastos obrigatórios para preservar o espaço destinado às despesas discricionárias e evitar o comprometimento do funcionamento da máquina pública nos próximos anos.
Entre as metas anunciadas pelo governo está a obtenção de um superávit primário equivalente a 0,5% do PIB em 2027, com crescimento gradual até alcançar 1,5% do PIB em 2030. Durigan defendeu ainda a revisão de programas sociais e dos benefícios fiscais, mas afirmou que debates mais sensíveis, como a desindexação do salário mínimo de benefícios previdenciários e de despesas com saúde e educação, deverão ficar para a próxima gestão federal.
Foto: Ministério da Fazenda