Patrimônio Cultural do Brasil, Choro é celebrado neste dia 23
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 23/04/2026
“Meu coração, não sei por quê, bate feliz quando te vê.” Os versos de Carinhoso, de Pixinguinha, perduram na memória auditiva de boa parte dos brasileiros quando se fala do gênero musical choro, ou chorinho, como é mais conhecido. Neste dia 23 de abril, celebra-se o Dia Nacional do Choro, conhecido por sua melodia envolvente e seu caráter improvisacional, conquistando admiradores no país e ao redor do mundo.
A data faz alusão ao dia em que provavelmente nasceu Pixinguinha, um dos ícones desse gênero musical brasileiro.

Resultado das criações musicais das classes populares do Rio de Janeiro no final do século XIX, o choro é uma fusão de influências musicais europeias, africanas e indígenas. Seus primeiros expoentes, como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, foram fundamentais para sua consolidação e disseminação.
Patrimônio Cultural
Em fevereiro de 2024, o choro foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural do Brasil.
De acordo com o parecer técnico que analisou o pedido de registro como Patrimônio Cultural, “o Choro é uma prática complexa e diversa, presente em todas as regiões do Brasil e disseminada em outros países.”
Com o choro reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, o corpo técnico do Iphan e os detentores do bem cultural, juntos, vão desenvolver políticas públicas para a salvaguarda do choro, com programas e cursos em escolas públicas, criação de editais para aquisição de instrumentos e promoção das rodas de choro em locais públicos, fortalecendo o desenvolvimento de formas de transmissão.
Atualmente, o choro mantém-se vivo através de grupos e músicos dedicados, que preservam suas tradições e, ao mesmo tempo, renovam seu repertório com composições contemporâneas. Festivais e rodas de choro acontecem por todo o país, reunindo músicos e apreciadores em uma celebração da cultura brasileira.
Trio Meyer Ferreira

O grupo tem mais de duas décadas de trajetória e, até 2023, era conhecido pelo nome Choro das 3, sob o qual se consolidou como uma das principais referências da música instrumental brasileira no cenário nacional e internacional.
O trio já gravou 11 álbuns, entre os quais “Meu Brasil Brasileiro” (2008), premiado pela APCA como Melhor Grupo de Música Popular. A carreira inclui turnês internacionais por Europa, México, Canadá e Estados Unidos.
A nova fase do grupo, sem perder a identidade familiar, veio com o falecimento do pai Eduardo Ferreira, vítima de Covid-19, em 2021, o que motivou a troca de nome.
Na fase atual há um mergulho em renovação com foco em composições autorais, que dialogam com elementos da música de câmara e dos ritmos brasileiros tradicionais. A nova etapa consolida a proposta artística do trio: difundir a riqueza da música brasileira com autenticidade, liberdade criativa e força feminina.
Aqui em Sorocaba, o professor de música e musicista, Joaquim Setti, fala sobre o Choro e sobre Pixinguinha nessa reportagem especial com a jornalista Cibelle Freitas. Ouça!