Netflix paga R$ 500 mil para Suzane von Richthofen dar versão sobre assassinato em documentário
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 08/04/2026
A Netflix pagou cerca de R$ 500 mil para Suzane von Richthofen conceder depoimento exclusivo para um documentário sobre o assassinato dos próprios pais, crime ocorrido em 2002. A informação foi divulgada pelo colunista Gabriel Vaquer, da coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.
Suzane não foi a única procurada pelo serviço de streaming. De acordo com a coluna, houve pagamento para familiares para autorizassem o uso de imagem e conceder entrevista. Entre os entrevistados está o atual marido von Richthofen, o médico Felipe Zecchini Muniz.
Segundo a publicação, o pagamento teria sido feito diretamente à Suzane. Procurada, a plataforma de streaming afirmou, em nota enviada ao portal Metrópoles, que não divulga detalhes sobre suas produções.
Documentário sobre Suzane
Após a repercussão da série Tremembé, Suzane von Richthofen decidiu voltar a falar publicamente sobre o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen. Ela concedeu entrevista para um documentário da Netflix ainda sem data oficial de lançamento.
O projeto foi revelado pelo jornalista Ullisses Campbell, na coluna True Crime. Segundo ele, Suzane aceitou contar sua versão da história, abordando desde a infância até o crime que resultou em sua condenação a 39 anos de prisão.
No depoimento, Suzane afirma que a casa onde vivia com os pais, local do assassinato, era marcada por cobranças e ausência de afeto, especialmente por parte do pai.
“Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo, mas era muito de vez em quando”, relatou.
Ela também afirmou ter presenciado episódios de violência doméstica durante a infância.
“Eu era criança. Meus pais botavam a gente para dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci para ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, disse.
O documentário também aborda o relacionamento dela com Daniel e Christian Cravinhos, condenados pelo crime. Suzane afirma que não participou do planejamento do assassinato, mas reconhece responsabilidade.
“A culpa é minha. Claro que é minha”, declarou.
A produção ainda mostrará aspectos da vida atual da condenada, incluindo o relacionamento com o marido, Felipe Muniz, e o filho do casal.
É legal?
O caso reacendeu discussões jurídicas comuns em produções de true crime, gênero que costuma registrar grande audiência em serviços de streaming, tanto em obras ficcionais quanto documentais.
Em entrevista ao Metrópoles, o professor de Direito do Centro Universitário de Brasília, Leonardo Aquino, explicou que o pagamento não é automaticamente ilegal. Segundo ele, somente situações que extrapolem informações já presentes nos autos do processo poderiam gerar obrigação de indenização.
“Só haverá o direito de indenizar se aquilo extrapolar as situações dentro do processo que foi retratado. Vamos imaginar uma situação hipotética: se usa uma fotografia de uma pessoa retratada que não foi adquirida nos autos, obtida por outros meios sem a devida identificação da origem, é possível haver indenização”, afirmou.
A advogada Erika Lenehr acrescentou que a análise jurídica envolve o equilíbrio entre dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e a proteção à personalidade.
Segundo ela, a legislação não proíbe esse tipo de produção, desde que não haja invasão da vida privada ou da intimidade das pessoas envolvidas.
“A lei não vai proibir. A liberdade de expressão e de criação pode ser utilizada dentro de determinados parâmetros, desde que não adentre à vida privada e à intimidade daquela pessoa que cometeu o crime. Isso normalmente acontece quando há julgamentos ou suposições sobre o que a pessoa pensava ao agir daquela forma”, explicou.