MTE atualiza “lista suja” com Amado Batista e BYD
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 07/04/2026
O Ministério do Trabalho e Emprego atualizou, nesta segunda-feira (6), a chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, cadastro que reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições irregulares.
Entre os incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, após fiscalizações conduzidas por autoridades trabalhistas.
Ao todo, 169 novos empregadores foram incluídos na relação, o que representa aumento de 6,28% em comparação à última atualização. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. Com a nova publicação, o número total de nomes no cadastro chega a cerca de 613.
As atividades econômicas com maior número de empregadores adicionados foram:
Serviços domésticos (23);
Criação de bovinos para corte (18);
Cultivo de café (12);
Construção de edifícios (10);
Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (6).
Os casos resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração. A atualização também retirou 225 empregadores que completaram o período de dois anos previsto no cadastro.
As ocorrências incluídas aconteceram entre 2020 e 2025, em 22 estados brasileiros. Minas Gerais lidera a lista, com 35 empregadores, seguido por São Paulo (20), Bahia (17) e Paraíba (17).
Caso BYD
A BYD foi incluída após o resgate de trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante a construção da fábrica da empresa em Camaçari (BA).
Segundo as investigações, 220 trabalhadores foram encontrados em alojamentos considerados inadequados, com retenção de passaportes, jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Também houve relatos de vigilância armada que restringia a saída do local.
Na época, a montadora afirmou que as irregularidades foram cometidas pela empresa terceirizada responsável pela obra, a Jinjiang Construction Brazil Ltda, e informou o encerramento do contrato.
Posteriormente, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a BYD e empreiteiras envolvidas após ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.
Caso Amado Batista
O cantor Amado Batista aparece em duas autuações registradas em 2024, em propriedades rurais localizadas em Goianápolis (GO).
Segundo a assessoria do artista, não houve resgate de trabalhadores. A defesa informou que uma fiscalização identificou irregularidades na contratação de quatro funcionários vinculados a empresa terceirizada responsável pela abertura de área para plantio.
Foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, e, de acordo com a nota, todas as obrigações trabalhistas foram regularizadas.
A assessoria acrescentou que melhorias estruturais solicitadas pelos órgãos fiscalizadores já foram realizadas e que todos os trabalhadores estão atualmente registrados e com direitos garantidos.