INSS usa IA para conceder metade das aposentadorias, mas planeja contratar 9.000 novos servidores
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 02/04/2026
Metade das aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já são concedidas com o uso de IA (Inteligência Artificial), em um sistema no qual o benefício é liberado de forma automática, sem que ocorra análise humana. Mesmo assim, o instituto planeja contratar 9 mil novos servidores e quer expandir o atendimento presencial nas APSs (Agências da Previdência Social), segundo Gilberto Waller Júnior, presidente do instituto.
A aposta de aliar tecnologia e interação com pessoas está entre as estratégias do governo para enfrentar a fila de pedidos, que, mesmo com queda de 359 mil solicitações em março (2,8 milhões no total) ainda gira em torno de 3 milhões. A meta é colocar servidores nas agências para ensinar os segurados a usarem o Meu INSS.
A estratégia do governo inclui ainda revisão de normas, eliminação de pedidos duplicados, integração de dados e simplificação de processos, além de melhorias na concessão de benefícios e pagamento de bônus a servidores. Para Waller Júnior, a automação é inevitável. “A utilização da inteligência artificial é uma realidade no mundo todo. Não tem como o INSS ser o único a não usar”, afirma.
O instituto recebe 1,3 milhão de pedidos por mês, paga cerca de 40 milhões de benefícios e movimenta R$ 1,2 trilhão por ano. Parte da fila envolve segurados que ainda precisam apresentar documentos, o que mantém o número elevado. “O meu sonho é que, quando o segurado entre no Meu INSS, a gente já diga: ‘há uma aposentadoria disponível, quer solicitar?’”, diz.
Waller Júnior afirma que as medidas adotadas desde 2025 buscam reduzir a fila e recuperar a confiança no órgão, abalada por fraudes em descontos indevidos. A contratação de servidores pretende recompor o quadro, que caiu pela metade, de 36 mil para 18 mil funcionários desde 2023. O INSS também enfrenta alto volume de ações judiciais, com cerca de 4 milhões de processos.
O órgão intensificou a revisão de descontos indevidos em consignados, com devolução de valores e suspensão de contratos irregulares. A automação, que era de 17% em 2022, chegou a 36% em 2023 e hoje responde por metade das concessões, com cerca de 80% de acerto. Após críticas iniciais, o sistema foi aprimorado, segundo o presidente.
Redução da fila do INSS
A meta do INSS é analisar os 1,3 milhão de pedidos mensais em até 45 dias, conforme determina a lei. Medidas como bônus a servidores, fila única e simplificação de linguagem estão sendo adotadas.
O cruzamento de dados entre órgãos deve agilizar a concessão de benefícios como o salário-maternidade, ao conseguir o CPF da criança logo que é registrada em cartório, melhorar o fluxo do BPC (Benefício de Prestação Continuada), com a checagem de dados para saber se a renda do cidadão é ou não compatível com o benefício assistencial, e agilizar a liberação da pensão por morte em caso de segurados que viviam e união estável.
Outra frente é melhorar a comunicação com o segurado, já que muitos pedidos dependem de exigências mal explicadas. Hoje, cerca de 500 mil pedidos que estão na fila dependem do cumprimento de exigências, ou seja, situações em que o segurado deve entregar documentos adicionais.
O INSS também quer eliminar pedidos duplicados feitos simultaneamente no sistema e na Justiça. “A gente está analisando agora e também retirando isso do sistema, porque às vezes ele entra com pedido e um procurador entra com o mesmo pedido para ele, então ele fica duplicado.”
(Folha de SP)