FGC liberou R$ 4,3 bilhões ao conglomerado Master antes de liquidação

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 27/03/2026

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu assistência financeira de R$ 4,3 bilhões ao conglomerado Master entre maio e outubro de 2025, meses antes da liquidação das instituições financeiras ligadas ao empresário Daniel Vorcaro pelo Banco Central do Brasil (BC). As informações constam em documento obtido pelo portal CNN Money.

Segundo o material, os recursos foram liberados entre 5 de maio e 1º de outubro de 2025 e tinham como finalidade quitar instrumentos financeiros que acionariam a garantia do fundo em caso de liquidação extrajudicial das instituições.

Objetivo da assistência financeira

A operação buscava permitir a reorganização societária do grupo e viabilizar uma saída organizada do mercado financeiro. Em contrapartida, o conglomerado realizou captações de apenas R$ 90,2 milhões durante o período.

O limite individual de garantia considerado foi de R$ 250 mil, valor máximo coberto pelo FGC para investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

O estatuto do fundo prevê a concessão de assistência financeira e operações de liquidez para instituições associadas quando o objetivo for proteger investidores, evitar crises sistêmicas ou preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.

Crise de liquidez persistiu

Apesar da ajuda emergencial, aumentos de capital, venda de ativos e cessão de carteiras, a situação financeira do grupo continuou se deteriorando. Técnicos do Banco Central avaliaram que, mesmo com a frustração de soluções privadas, houve redução do custo potencial para a sociedade e para o próprio FGC.

A exposição estimada do fundo caiu de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões em eventual desembolso decorrente do regime especial aplicado às instituições.

Em 21 de setembro de 2025, o Banco Master apresentou um novo plano de recuperação ao Banco Central, que incluía:

  • venda integral do controle do Master Múltiplo e da Will Financeira;
  • transferência do controle do Letsbank a investidores institucionais;
  • reestruturação de custos operacionais;
  • acordo com o Banco de Brasília (BRB), que previa aquisição mensal de até R$ 400 milhões em operações de crédito;
  • aporte de até US$ 400 milhões por investidores estrangeiros;
  • liquidação privada organizada de ativos até dezembro de 2026;
  • transferência de direitos creditórios do controlador ao banco, estimados em até R$ 8,5 bilhões.

Dois dias depois, o FGC informou que poderia estender a assistência financeira, condicionando a medida à apresentação de um plano viável de saída do mercado. Em outubro de 2025, a linha de suporte foi prorrogada exclusivamente para a Will Financeira até novembro daquele ano.

Liquidação extrajudicial

Mesmo com as medidas adotadas, a crise de liquidez foi considerada insustentável. O Banco Central concluiu que a liquidação extrajudicial do Banco Master era necessária para preservar o Sistema Financeiro Nacional.

No momento da liquidação, em 18 de novembro de 2025, o banco possuía apenas R$ 4,8 milhões em caixa livre em títulos públicos federais, enquanto enfrentava vencimentos imediatos de CDBs que somavam R$ 48,6 milhões.

Auditoria conduzida pela Tribunal de Contas da União (TCU), por meio da unidade especializada Audibancos, concluiu que o processo conduzido pelo Banco Central foi legal, tecnicamente fundamentado e necessário.

Desde o fim de 2025, o Banco Central liquidou nove instituições financeiras ligadas ao grupo. Como consequência, o FGC deverá desembolsar mais de R$ 51 bilhões aos credores, no maior resgate já registrado na história do fundo.

Procurados, a defesa de Daniel Vorcaro e o Banco Central informaram que não comentariam o caso. O FGC afirmou que não se manifesta sobre instituições associadas.

Com informações da CNN


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