Especialistas apontam privatização da BR Distribuidora como fator para alta de combustíveis em São Paulo
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 14/03/2026
Especialistas do setor de energia e entidades ligadas ao petróleo afirmam que os aumentos considerados abusivos no preço dos combustíveis em São Paulo não podem ser explicados apenas pela instabilidade no cenário internacional. Há relatos de postos vendendo o litro da gasolina por até R$ 9, mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias.
Segundo análise de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a privatização da antiga BR Distribuidora teria reduzido a capacidade do Estado de influenciar a cadeia de distribuição de combustíveis, abrindo espaço para margens maiores praticadas por distribuidoras e revendedoras.
O alerta sobre preços elevados partiu de Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Segundo ela, postos em São Paulo estariam aplicando reajustes desproporcionais mesmo sem aumento anunciado pela Petrobras.
A avaliação também é compartilhada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). Para a entidade, o conflito no Oriente Médio, intensificado no fim de fevereiro, tem sido usado como justificativa para elevar preços nas bombas.
De acordo com o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, os aumentos aplicados por distribuidoras e postos podem chegar a cerca de 40% no valor final pago pelos consumidores.
Especialistas argumentam que, no passado, a Petrobras atuava de forma mais integrada em toda a cadeia produtiva do setor — da exploração ao abastecimento nos postos — o que permitiria maior controle sobre a política de preços.
Para o professor Geraldo de Souza Ferreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a retirada de uma empresa pública de etapas estratégicas da cadeia de combustíveis reduz a capacidade de intervenção do Estado em momentos de crise.
A antiga BR Distribuidora foi privatizada a partir de 2019 e teve sua venda concluída em 2021, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro. A empresa atualmente opera sob a marca Vibra Energia, que registrou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024.
Para tentar reduzir o impacto da alta dos combustíveis, o governo federal anunciou medidas como a redução de tributos sobre o diesel e a criação de uma sala de monitoramento para acompanhar o mercado de combustíveis no país.