Paquistão anuncia guerra contra o Afeganistão após tensões na fronteira

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 27/02/2026

Paquistão e Afeganistão voltaram a se enfrentar militarmente na madrugada desta sexta-feira (27), no horário de Brasília), após o governo paquistanês declarar “guerra aberta” ao país vizinho.

A nova escalada acontece depois de meses de tensão na fronteira e marca o rompimento de um cessar-fogo considerado frágil, firmado em outubro.

Início das tenções

O estopim foi uma intensificação dos confrontos na região de fronteira. Um vídeo divulgado na quinta-feira (26) mostra o que seria o início da escalada: uma troca de tiros entre forças dos dois lados. Ao longo da madrugada de quinta-feira, houve troca de tiros entre as forças dos dois lados, com uso de armas e artilharia pesada.

Poucas horas depois, o Exército do Paquistão lançou bombardeios contra diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul. Segundo informações divulgadas, os ataques envolveram mísseis disparados por via aérea e tiveram como alvo escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia.

Kandahar, no sul do Afeganistão, é considerada o principal reduto do Talibã e abriga o líder espiritual do grupo, Haibatullah Akhundzada. Os bombardeios marcam a primeira vez que Islamabad atinge diretamente instalações do Talibã, representando uma ruptura significativa nas relações entre os dois países.

A retaliação do Talibã

Em resposta, o Talibã afirmou ter utilizado drones para bombardear instalações militares paquistanesas em Islamabad, capital do Paquistão, além de Nowshera, Jamrud e Abbottabad.

O porta-voz do Exército paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, declarou que 22 alvos militares afegãos foram atingidos e que 274 “autoridades e militantes do regime do Talibã” teriam sido mortos desde a noite de quinta-feira (26). Ele também informou que ao menos 12 soldados paquistaneses morreram nos confrontos. O governo afegão não confirma os números.

Por que os dois países estão em conflito

Embora tenham sido aliados próximos no passado, Paquistão e Talibã afegão vivem uma relação marcada por desconfiança e acusações mútuas. O Paquistão, que é uma potência nuclear, afirma que o Talibã oferece abrigo a militantes armados responsáveis por ataques em território paquistanês. Cabul nega a acusação.

Entre os grupos citados está o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por atentados no Paquistão. Islamabad sustenta que líderes e combatentes do TTP estariam baseados no Afeganistão, assim como insurgentes que defendem a independência da província paquistanesa de Baluchistão.

O governo afegão, por sua vez, acusa o Paquistão de abrigar integrantes do Estado Islâmico, o que também é negado por Islamabad.

Outro fator de tensão é a aproximação diplomática entre Afeganistão e Índia. O Paquistão historicamente apoiou o Talibã desde os anos 1990, buscando fortalecer sua posição estratégica frente à rivalidade com os indianos. No entanto, após o retorno do Talibã ao poder em 2021 — inicialmente saudado pelo então primeiro-ministro paquistanês — a relação começou a se deteriorar, especialmente após o Afeganistão ampliar contatos e parcerias com o governo indiano.

Com informações do g1


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