Editorial

Editorial: Merenda escolar salgada

Semana de 15 a 21 de fevereiro de 2026

Editorial: Merenda escolar salgada

A merenda escolar é mais do que uma refeição: é um direito das crianças, um suporte essencial ao aprendizado e, para muitas famílias, uma garantia diária de alimentação adequada.

Por isso, quando surgem dúvidas sobre como esses alimentos são comprados e quanto se paga por eles, o assunto deixa de ser apenas administrativo e passa a ser de interesse público.

A Prefeitura de Votorantim realizou uma contratação emergencial, por dispensa de licitação, para a compra de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar. O valor pode chegar a aproximadamente R$ 1,5 milhão para um período de até 90 dias.

A medida foi justificada pela necessidade de garantir o atendimento ao Programa Nacional de Alimentação Escolar enquanto o processo definitivo de contratação permanece suspenso por impugnações.

A dispensa de licitação é prevista na Lei nº 14.133, em situações emergenciais, mas isso não elimina a obrigação de justificar tecnicamente os preços, comprovar compatibilidade com o mercado e garantir transparência.

E é justamente sobre os valores apresentados que recaem as principais dúvidas.

Entre os itens listados estão 55 produtos não perecíveis. Alguns números chamam atenção. A manteiga sem sal, por exemplo, tem previsão de compra de 4.750 potes de 200 gramas ao valor unitário de R$ 38. Isso significa cerca de R$ 190 por quilo, totalizando R$ 180.500.

O leite em pó integral aparece como o item de maior valor total: R$ 56,50 por embalagem de 1 quilo, com previsão de 4.300 unidades, somando R$ 242.950.

Somados, apenas esses dois produtos ultrapassam R$ 420 mil.

O arroz branco tipo 1 está cotado a R$ 39 o pacote de 5 quilos, com previsão de 4 mil unidades, totalizando R$ 156 mil.

A lista inclui ainda chá-mate, fórmulas infantis, pães sem glúten e produtos sem lactose, voltados a estudantes com restrições alimentares. Também chama atenção a presença do óleo de algodão — pouco comum nas residências brasileiras — ao lado do tradicional óleo de soja.

A Prefeitura informa que os valores são referenciais e incluem exigências técnicas, logística, armazenamento e distribuição nas unidades escolares.

Ainda assim, o cidadão votorantinense precisa entender: por que pagar valores aparentemente tão elevados por itens básicos da merenda escolar?

A discussão não se limita ao preço. Especialistas em nutrição lembram que a merenda deve ser variada, equilibrada e nutritiva, contribuindo para o crescimento, a saúde e o aprendizado dos alunos. Ou seja, não se trata apenas de matar a fome, mas de nutrir de verdade.

Ao mesmo tempo, qualidade e responsabilidade fiscal devem caminhar juntas.

Diante das dúvidas, um munícipe apresentou denúncia ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, questionando a dispensa de licitação. O caso foi aceito e está sob relatoria do conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli. O Tribunal poderá solicitar esclarecimentos à Prefeitura e adotar providências previstas em lei.

Trata-se de um passo importante para garantir transparência e controle sobre o uso do dinheiro público.

A população precisa saber se os preços pagos estão compatíveis com o mercado, se a contratação emergencial era inevitável e se os recursos estão sendo utilizados da melhor forma possível para atender os estudantes.

Transparência não é favor. É obrigação.

E quando o assunto envolve alimentação escolar, cada centavo precisa ser explicado.

Este editorial não faz acusações. Faz perguntas que ecoam nas ruas, nas escolas e nas casas de Votorantim.

Os pais querem qualidade. Os contribuintes querem responsabilidade. E os alunos merecem respeito.

Os microfones da rádio Cruzeiro FM estão abertos para que a Prefeitura e o prefeito se manifestem e expliquem os critérios adotados, os preços praticados e as medidas que garantem a melhor merenda possível para nossas crianças.

Porque merenda escolar é investimento no futuro — e o futuro exige clareza hoje.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!

Fernando Guimarães
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