A educação para o trânsito, aliada à conscientização e à mudança de comportamento de motoristas e pedestres, é um dos principais caminhos para reduzir o número de acidentes no Brasil. A avaliação é da mestre e doutora em Psicologia da Educação Sonia Chébel, que afirma que a fiscalização é importante, mas, sozinha, não é suficiente para enfrentar o problema.
Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro (92,3) e ao repórter João Frizzo, do Jornal Cruzeiro do Sul, Sonia Chébel destacou que a principal dificuldade está em fazer com que as pessoas assimilem as orientações de segurança. Segundo ela, muitos motoristas acreditam que habilidade e experiência são suficientes para evitar acidentes, ignorando evidências científicas sobre fatores como velocidade, tempo de frenagem e condições da pista. Para a especialista, a desatenção, inclusive pelo uso do celular ao volante ou durante a travessia de pedestres, está entre as principais causas de ocorrências que poderiam ser evitadas.
Outro fator apontado por Sonia Chébel é a relação cultural dos brasileiros com o automóvel. Ela avalia que o carro ainda é visto como símbolo de status, poder e independência, o que pode estimular comportamentos de risco, principalmente entre os jovens. A pesquisadora também observa que a própria família, muitas vezes, reforça essa percepção ao incentivar o uso precoce do veículo, especialmente entre os homens.
Questionada sobre o papel da fiscalização após acidentes fatais, a especialista afirmou que o combate à violência no trânsito exige uma atuação multidisciplinar, envolvendo educação, engenharia, legislação, psicologia e sociologia. Para ela, a fiscalização continua sendo indispensável, mas precisa ser acompanhada por ações permanentes de formação e conscientização da população.
Durante a entrevista, Sonia Chébel também apresentou o livro Jovens ao volante: uma proposta de educação para o trânsito, baseado em sua pesquisa de doutorado. Ela contou que o interesse pelo tema surgiu após acompanhar o elevado número de alunos afastados das aulas ou mortos em acidentes de trânsito ao longo de sua carreira como professora universitária. Segundo a autora, a obra propõe uma metodologia participativa para aproximar os jovens do tema e incentivar mudanças de comportamento, em vez de apenas transmitir regras de forma impositiva