Editorial: Quando a prioridade não é o povo

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 13/02/2026

A sessão extraordinária da Câmara de Sorocaba dessa quinta-feira deixa uma pergunta incômoda no ar: afinal, para quem trabalha o Legislativo?

Enquanto a população enfrenta filas na saúde, reclama da demora por exames, cirurgias e atendimento digno, os vereadores decidiram dar prioridade à criação de 25 novos cargos comissionados.

Vinte votos a favor. Cinco contra. Mais de um milhão de reais por ano a mais na folha de pagamento.

E a CPI da Saúde? Ficou para o fim da pauta.

Áudios vazados envolvendo o presidente da Casa e o presidente da própria CPI revelam que a estratégia política parecia clara: primeiro resolver o que interessa internamente. Depois, se houver tempo, discutir o que interessa à sociedade.

Também foi rejeitada a comissão processante que poderia analisar a cassação do prefeito afastado Rodrigo Manga. Um tema sensível. Um tema que exige responsabilidade. Um tema que diz respeito diretamente à confiança da população nas instituições.

Mas não foi prioridade.

É legítimo perguntar: qual a urgência na criação de mais um assessor por gabinete? Há justificativa técnica? Há estudo de impacto que convença o contribuinte de que este é o melhor uso do dinheiro público neste momento?

Ou estamos diante de mais um episódio em que a política olha primeiro para si mesma?

O vereador é eleito para fiscalizar, propor soluções e defender o interesse coletivo. Seu papel não é ampliar estruturas administrativas quando serviços essenciais enfrentam questionamentos e dificuldades.

Quando a Câmara sinaliza que cargos vêm antes da investigação sobre a saúde pública, o recado é claro — e preocupante.

Em um cenário de crise de confiança, a prioridade deveria ser transparência. Deveria ser apuração rigorosa. Deveria ser compromisso com quem depende do SUS municipal.

O Parlamento existe para representar o povo. E representar significa ouvir o clamor das ruas, sentir a dor de quem espera atendimento, compreender a indignação de quem paga impostos e exige retorno.

O momento exige grandeza institucional. Exige coerência. Exige senso de prioridade.

Porque, no fim das contas, o que está em jogo não são apenas 25 cargos. É a credibilidade da Câmara. É a confiança do cidadão. É o respeito ao mandato.

O papel do vereador, em tempos adversos, é simples e inegociável: colocar o interesse público acima de qualquer conveniência política.

Se isso não for prioridade, algo está profundamente errado.

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