Sócio de academia recusou contratar empresa para cuidar de piscina

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 12/02/2026

Em depoimento prestado à Polícia Civil nesta quarta-feira (11), Celso Bertolo Cruz, um dos proprietários da academia C4 GYM, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, revelou que optou por não contratar uma empresa especializada para a manutenção fixa da piscina, mesmo após o local ter enfrentado problemas técnicos no início de 2025.

Segundo o relato do empresário, no começo do ano passado, a água da piscina começou a ficar turva e o tratamento com cloro parou de surtir efeito, o que resultou na suspensão das aulas e no fechamento temporário do espaço.

Para resolver a situação emergencial, Celso contratou um serviço terceirizado, que atuou no local por alguns dias até restabelecer a qualidade da água.

Celso admitiu às autoridades que, após esse episódio, recebeu uma proposta da referida empresa para assumir definitivamente a manutenção da piscina. No entanto, ele recusou a oferta.

A justificativa apresentada no inquérito foi a de que ele “decidiu continuar como responsável pela manutenção da piscina por entender que não seria necessária a contratação de uma empresa para isso”.

Veja o que se sabe sobre o caso

A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta quarta-feira (11), os três proprietários da academia por homicídio. O delegado responsável também pediu a prisão dos empresários.

A investigação apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras seis pessoas após uma aula de natação realizada no sábado (7). Juliana sofreu uma parada cardíaca, foi socorrida e levada a um hospital de Santo André, mas não resistiu.

Entre os sobreviventes, o marido da professora e um adolescente de 14 anos precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva. Outras duas pessoas receberam atendimento médico, e uma criança de 5 anos que passou mal durante a aula também foi incluída na lista de vítimas.

Relatos apontam que os alunos sentiram um forte cheiro de produto químico na piscina. Em seguida, apresentaram ardência nos olhos, no nariz e nos pulmões, além de náuseas e vômitos.

Segundo a polícia, a intoxicação teria sido causada por cloro adulterado, misturado a uma substância ainda não identificada, provocando uma reação química tóxica na água.

Imagens de câmeras de segurança mostram o manobrista da academia manuseando baldes e aplicando produtos químicos na piscina. Em depoimento, ele afirmou que não tem qualificação técnica para a função e que apenas cumpria ordens da gerência. Disse ainda que, ao comunicar o mal-estar dos alunos, ouviu do proprietário a resposta: “paciência”.

Após o episódio, a Subprefeitura da Vila Prudente interditou preventivamente o estabelecimento por falta de alvará de funcionamento. Também foram constatadas outras irregularidades, como dois CNPJs registrados no mesmo endereço e condições consideradas precárias de segurança.

De acordo com a polícia, depois do ocorrido, os responsáveis fecharam a academia e deixaram o local sem acionar as autoridades, apesar de o prédio ficar em frente ao 42º Distrito Policial. Para realizar a perícia e coletar amostras da água da piscina, os agentes precisaram arrombar o imóvel.

O caso segue em investigação e aguarda os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML). Em nota, a direção da C4 Gym informou que lamenta o ocorrido e que colabora com as autoridades.


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