Irã avalia de forma positiva encontro com os Estados Unidos: “Construtivo”
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 06/02/2026
O Irã avaliou de forma positiva o primeiro encontro com os Estados Unidos para discutir seu programa nuclear. Nesta sexta-feira (6), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que as conversas ocorreram em um “ambiente muito construtivo” e que houve concordância entre as partes para dar continuidade ao diálogo.
Segundo Araqchi, os negociadores trocaram argumentos e apresentaram seus pontos de vista, mas ainda não há definição sobre formato nem calendário das próximas etapas. “Concordamos em continuar as negociações, mas as modalidades e o cronograma serão decididos posteriormente”, disse o ministro à TV estatal iraniana.
Em declaração à agência oficial Irna, Araqchi reforçou que deixou claro aos representantes norte-americanos que qualquer avanço só será possível se os Estados Unidos cessarem ameaças de agressão militar. Ele ressaltou ainda que o escopo das conversas se limita exclusivamente ao programa nuclear iraniano.
As declarações ocorreram pouco depois de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmar o encerramento temporário das negociações, realizadas em Omã. O anúncio causou frustração por ter sido feito poucas horas após o início do encontro, mas Araqchi garantiu que o diálogo continuará, ainda que à distância.
“Os negociadores retornarão às suas capitais para consultas, e as conversas seguirão. A barreira da desconfiança precisa ser superada”, afirmou.
O encontro entre representantes de Washington e Teerã durou cerca de seis horas, começando pouco antes das 5h (horário de Brasília) e terminando próximo das 11h. O objetivo foi buscar um consenso diplomático em meio às ameaças mútuas registradas nas últimas semanas.
O chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, classificou o diálogo como “muito sério” e indicou que novas reuniões devem ocorrer. Segundo ele, os resultados serão avaliados com cuidado tanto em Teerã quanto em Washington. De acordo com o site norte-americano Axios, novos encontros entre EUA e Irã devem acontecer nos próximos dias.
Horas antes da reunião, Araqchi afirmou que o Irã estava preparado para defender seus direitos e que participaria das negociações com “olhos abertos”. “Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de posição, respeito mútuo e interesse comum não são retórica, mas pilares de um acordo duradouro”, declarou.
O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem finalidade pacífica. Já Estados Unidos e Israel acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares. Araqchi chegou a Omã na quinta-feira (5) e, segundo o governo iraniano, o objetivo da delegação é alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno”.
Em Mascate, o ministro deve se reunir com o enviado especial do governo Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano.
Tensão internacional
As negociações ocorrem em um contexto de forte tensão internacional, alimentada por ameaças do presidente Donald Trump e por promessas iranianas de retaliação em caso de ataque. O cenário levou países da região e potências globais a tentar conter uma possível escalada.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou estar trabalhando para evitar que o impasse se transforme em mais um conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo demonstram preocupação com a possibilidade de bases militares americanas em seus territórios se tornarem alvos.
Na Europa, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou haver “grande preocupação” com uma escalada do conflito e pediu que o Irã contribua para a estabilidade regional. Já a China manifestou apoio ao direito iraniano de usar energia nuclear para fins pacíficos e criticou ameaças de força e sanções, reforçando o clima de alerta diplomático em torno do tema.