Polícia dá prazo de 15 dias para São Paulo FC explicar movimentações financeiras suspeitas
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 24/01/2026
O Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania (DPPC) concedeu um prazo de 15 dias para que o São Paulo Futebol Clube apresente esclarecimentos sobre uma série de operações financeiras consideradas suspeitas, realizadas desde 2021. O pedido foi formalizado por meio de um ofício enviado ao clube, que aponta divergências nos balanços financeiros e questiona saques em dinheiro vivo nas contas da instituição.
A cobrança ocorre após a deflagração de uma operação conjunta do DPPC e do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizada na quarta-feira (21). A ação investiga um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio MorumBis e suspeitas de lavagem de dinheiro. Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos, incluindo endereços ligados ao então presidente do clube, Julio Casares, que renunciou ao cargo poucas horas depois, além da ex-esposa dele, Mara Casares, do diretor adjunto das categorias de base, Douglas Schwartzmann, e de Rita Adriana Prado, apontada como possível integrante do esquema.
De acordo com o inquérito, outros dirigentes também são investigados. A empresa Off Side, responsável pela logística de jogos de clubes da Série A, é citada como possível intermediária usada no esquema.
No ofício, a Polícia Civil destaca uma divergência de R$ 11,7 milhões nas demonstrações financeiras de 2023, ano em que o São Paulo conquistou a Copa do Brasil. Em um documento, as despesas do futebol profissional aparecem como R$ 531,6 milhões; em outro, considerando futebol profissional e base, o valor informado é de R$ 519,8 milhões. A polícia questiona qual seria a justificativa contábil para a diferença.
Os dois valores ultrapassam em mais de R$ 100 milhões a previsão orçamentária inicial para o ano, estimada em R$ 425,6 milhões. Segundo o clube, o aumento estaria relacionado à contratação de jogadores, como Lucas Moura e James Rodríguez, além do pagamento de premiações pela conquista da Copa do Brasil.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam ainda a realização de pelo menos 35 saques em espécie entre 2021 e 2025, que somam mais de R$ 11 milhões. A polícia questiona se parte desses valores estaria vinculada a premiações.
Investigação sobre venda de camarotes
Julio Casares também é investigado por suspeitas ligadas à exploração irregular de um camarote vinculado à presidência do clube durante um show da cantora Shakira, realizado no MorumBis em fevereiro de 2025. Segundo o MPSP, o espaço teria sido usado para a comercialização clandestina de ingressos, prática considerada ilegal.
Áudios divulgados pela imprensa apontam o envolvimento de Douglas Schwartzmann e de Mara Casares no esquema. No material, há relatos de benefício financeiro obtido com a venda dos ingressos, alguns comercializados por valores de até R$ 2,1 mil.
O caso veio à tona após uma intermediária acionar a Justiça, alegando não ter recebido valores referentes à venda dos ingressos. Em áudios revelados posteriormente, dirigentes pressionam a retirada da ação judicial e admitem a irregularidade da prática.
Após a repercussão, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento de seus cargos. As investigações seguem em andamento.