Oposição pede impeachment de Ibaneis após citação em investigação sobre Banco Master

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 24/01/2026

A crise financeira e institucional envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (23) e passou a impactar diretamente o cenário político do Distrito Federal. Partidos de oposição protocolaram pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB), em meio às investigações que apuram a atuação do Banco de Brasília (BRB) nas operações com a instituição privada, liquidada pelo Banco Central em novembro.

As representações foram apresentadas por PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL. As legendas apontam possíveis crimes de responsabilidade, sob o argumento de que o governo do DF, controlador do BRB, teria permitido operações de alto risco, com prejuízo potencial ao erário e violação de princípios da administração pública.

No centro das apurações estão aportes que somam cerca de R$ 16,7 bilhões feitos pelo BRB no Banco Master entre 2024 e 2025. Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, a instituição privada teria vendido ao banco público aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ou sem lastro, numa tentativa de evitar a quebra diante de uma crise de liquidez.

O caso levou o Banco Central a decretar a liquidação do Banco Master. Como consequência direta, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisou ser acionado para proteger os investidores. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o FGC informou que já pagou R$ 26 bilhões em garantias, o equivalente a 66,43% do total previsto, beneficiando mais de 521 mil credores. Os pagamentos começaram em 19 de janeiro e seguem em ritmo acelerado, com cerca de 2,8 mil solicitações processadas por hora.

Apesar de o FGC atuar para conter os efeitos da crise no sistema financeiro, o impacto político segue crescendo. Segundo os partidos de oposição, a relação entre o governo do DF, a antiga presidência do BRB e o controlador do Banco Master precisa ser esclarecida, especialmente após o banqueiro Daniel Vorcaro citar o nome de Ibaneis Rocha em depoimento à Polícia Federal.

O governador nega qualquer irregularidade. Em declarações à imprensa, Ibaneis afirmou que nunca tratou da operação BRB–Master com Vorcaro e que todas as negociações eram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, afastado e posteriormente demitido após o avanço das investigações. Ibaneis confirmou encontros sociais com o banqueiro, mas disse que não houve discussões sobre o banco.

De acordo com reportagens da Folha de S.Paulo e do Valor Econômico, o rombo potencial no BRB pode chegar a R$ 4 bilhões. Há informações de que o Banco Central teria determinado um provisionamento mínimo de R$ 2,6 bilhões, dado ainda não confirmado oficialmente.

As apurações seguem em andamento e envolvem a Polícia Federal, o Ministério Público, o Banco Central, a nova gestão do BRB e auditorias independentes. Enquanto isso, a crise que começou no sistema financeiro já provoca efeitos diretos no campo político do Distrito Federal.

Nota do FGC

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informa que, até hoje (23 de janeiro de 2026, às 17h50), já foram pagos R$ 26 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, o que representa 66,43% do montante a ser pago. Em termos de números de beneficiários da garantia, 521 mil credores já receberam os valores, correspondente a 67,29% do total de credores. Atualmente estão sendo processados cerca de 2,8 mil pedidos por hora no aplicativo do FGC.

Os pagamentos tiveram início na tarde do dia 19 de janeiro de 2026 e se intensificaram desde então, após ajustes de parâmetros que permitiram ganhos de performance dos sistemas. As equipes técnicas seguem monitorando continuamente os sistemas e implementado ajustes para que os pagamentos possam ser realizados com a maior rapidez possível.

Por conta dos procedimentos de segurança e de prevenção a fraudes, a liberação de pagamentos pode passar por camadas adicionais de verificação, o que pode impactar os prazos individuais de conclusão do processo.

Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3bi em garantias. O início dos pagamentos acontecerá após o recebimento da base de credores, que será consolidada pelo liquidante, com apoio do FGC.


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