Editorial: Zeladoria – uma questão de cuidado, ordem e responsabilidade

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 16/01/2026

Nos últimos dias, o jornalismo da Cruzeiro FM recebeu muitas reclamações de ouvintes sobre problemas que, à primeira vista, parecem simples — mas refletem uma questão estrutural da vida nas cidades: o descuido com a zeladoria urbana.

Mato alto que toma praças, parques e calçadas; semáforos com defeito; bocas-de-lobo e córregos entupidos; áreas públicas transformadas em depósito de lixo e entulho.

Não é apenas uma “sensação de desleixo”: são sinais de que serviços essenciais de manutenção e limpeza não estão alcançando a eficácia que a população espera e merece.

Zeladoria urbana é, de forma resumida, o conjunto de ações que mantém a cidade funcional, segura e atraente para todos — desde a limpeza das ruas, a roçada de áreas verdes, a manutenção de bocas-de-lobo e galerias pluviais, até a conservação de praças, parques e iluminação pública.

Nas grandes cidades, isso inclui também operações permanentes de manutenção e limpeza, como a chamada “Operação São Paulo Limpa”, que atua de forma integrada em todas as regiões da cidade para reforçar esses serviços.

Esses serviços não são meramente estéticos. Eles influenciam diretamente a qualidade de vida, a saúde pública, a segurança e até a prevenção de enchentes.

Por exemplo: bocas-de-lobo e galerias entupidas por lixo e detritos bloqueiam o fluxo de águas pluviais e aumentam o risco de alagamentos quando chove.

A poda de árvores em locais errados ou mal executada pode representar risco para pedestres e veículos.

A falta de manutenção das vias torna o trânsito mais perigoso, e a sujeira acumulada contribui para a proliferação de pragas urbanas.

Os gestores públicos têm a obrigação de planejar, executar e monitorar essas atividades.

Em muitas cidades, secretarias de infraestrutura, obras ou serviços urbanos organizam cronogramas diários de roçadas, limpeza de bocas-de-lobo, retirada de entulho, varrição de vias, tapa-buracos, manutenção de drenagens e reparos em iluminação pública.

Ferramentas de gestão, como sistemas de solicitação e acompanhamento de serviços, têm sido utilizadas para aprimorar esse trabalho.

Na capital paulista, por exemplo, sistemas integrados permitem ao cidadão reportar demandas que são rapidamente transformadas em ordens de serviço — reduzindo drasticamente os prazos de atendimento e aumentando a eficiência das equipes de zeladoria.

Mas a zeladoria não depende só da administração. O cidadão também tem papel fundamental. A forma como nos relacionamos com o espaço público — se jogamos lixo no lugar certo, se descartamos entulho em locais apropriados, se cuidamos das calçadas e jardins próximos de nossas casas — impacta diretamente no sucesso das ações municipais.

Jogar lixo na rua ou entulho em praças não só aumenta o trabalho da prefeitura como também reduz a capacidade do sistema de drenagem pluvial de escoar água, provocando alagamentos que poderiam ser evitados.

Além disso, o engajamento da população em denunciar irregularidades — através de canais oficiais como o “156” ou aplicativos municipais — cria um canal de diálogo e pressão positiva para que os serviços sejam realizados de forma mais rápida e eficaz.

Há ainda uma dimensão cívica e educativa nesse debate: cuidar da cidade é um dever coletivo. É um reflexo de como nos vemos como sociedade. Uma rua limpa e bem cuidada é também um sinal de respeito pelo próximo, pelos nossos filhos e pelos que caminham diariamente por esses espaços.

Os recursos públicos que sustentam a zeladoria vêm de impostos que cada um de nós paga. São tributos que deveriam, por definição, ser revertidos em serviços que garantam uma cidade melhor para todos.

Isso significa que os gestores públicos precisam ser transparentes no uso desses recursos e eficazes na aplicação das políticas públicas. É papel do cidadão fiscalizar, cobrar respostas e exigir prestação de contas.

Por fim, a manutenção urbana não deve ser vista como um trabalho pontual, mas como um compromisso contínuo.

Uma cidade boa para viver se constrói dia a dia — com a ação permanente dos governos e com a responsabilidade ativa dos cidadãos.

Uma comunidade que cuida de seus espaços públicos mostra que valoriza sua qualidade de vida — e que entende que o bem comum exige vigilância, cuidado e, acima de tudo, participação.

E esse é o tipo de debate que faz a cidade mais forte. Cuidar da cidade é cuidar de nós mesmos — e isso começa com pequenas atitudes, todos os dias, de cada cidadão.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!


Você está ouvindo

Cruzeiro FM 92,3 Mhz

A número 1 em jornalismo