Reações internacionais se intensificam após captura de Maduro; UE, América Latina e EUA elevam tom sobre futuro da Venezuela

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 04/01/2026

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, no sábado (3), provocou uma reação imediata da comunidade internacional e ampliou as tensões diplomáticas em torno do futuro político da Venezuela. União Europeia, países da América Latina e autoridades americanas divulgaram notas e declarações oficiais ao longo deste domingo (4), reforçando posições distintas sobre soberania, transição de poder e o uso da força.

Em nota assinada por 26 países-membros, a União Europeia afirmou que “respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única maneira de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual”. O bloco reiterou que Nicolás Maduro “não possui a legitimidade de um presidente democraticamente eleito” e defendeu uma transição pacífica, liderada pelos próprios venezuelanos, com respeito à soberania nacional.

A UE também apelou à calma e à moderação para evitar a escalada do conflito, ressaltando que o direito internacional e a Carta das Nações Unidas devem ser observados em todas as circunstâncias. O texto destaca ainda a necessidade de libertação incondicional de todos os presos políticos e informa que autoridades consulares europeias atuam para garantir a segurança de cidadãos da UE na Venezuela.

No mesmo dia, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta manifestando “profunda preocupação e rechaço” à ação militar dos Estados Unidos. Segundo o documento, a ofensiva representa um “precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais” e viola princípios fundamentais do direito internacional, como a soberania e a integridade territorial dos Estados.

Os cinco países defenderam que a crise venezuelana seja solucionada exclusivamente por meios pacíficos, sem ingerência externa, e pediram atuação das Nações Unidas para contribuir com a desescalada das tensões. O grupo também demonstrou preocupação com qualquer tentativa de controle externo ou apropriação de recursos naturais estratégicos da Venezuela, em referência direta às declarações do presidente americano.

No sábado, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos manterão presença militar no país para “proteger o petróleo” e que pretendem extrair riqueza do território venezuelano como forma de compensação. Neste domingo, Trump voltou a subir o tom e disse que a presidente interina, Delcy Rodríguez, “pagará um preço muito alto” caso “não faça a coisa certa”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington irá julgar a nova liderança venezuelana pelas decisões que tomar. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm diversas ferramentas de pressão, incluindo uma “quarentena” militar para impedir o tráfego de petroleiros sancionados. Rubio destacou que, para o governo americano, ainda é prematuro discutir eleições e que o foco, no momento, é garantir mudanças políticas e combater o narcotráfico.

Internamente, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina, conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça do país. Em comunicado lido pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, os militares repudiaram a operação americana, classificando a captura de Maduro como um “sequestro” e alertando que a ação representa uma ameaça à ordem global.

Padrino afirmou que parte da equipe de segurança de Maduro morreu durante a operação e disse que as forças armadas foram mobilizadas em todo o território nacional para garantir a soberania. Nicolás Maduro permanece preso nos Estados Unidos, onde será julgado por narcoterrorismo e outros crimes.


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