Parlamento francês tenta evitar paralisação do governo após impasse no Orçamento de 2026

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 23/12/2025

O Parlamento francês corre contra o tempo para evitar uma paralisação do governo, nos moldes do chamado shutdown dos Estados Unidos, após o colapso das negociações em torno do Orçamento de 2026. Deputados debatem nesta terça-feira (23) um projeto emergencial apresentado pelo governo para impedir a interrupção das atividades do Estado já na próxima semana.

Segundo o Palácio do Eliseu, a proposta tem como objetivo “assegurar a continuidade da vida nacional e o funcionamento dos serviços públicos”. O texto autoriza a arrecadação de impostos, a transferência de recursos a governos locais e a manutenção dos gastos públicos com base nos limites previstos no Orçamento de 2025.

A iniciativa foi elaborada após reunião do presidente Emmanuel Macron com ministros do governo, em meio a um cenário de forte fragmentação política. A Assembleia Nacional reúne hoje um Parlamento dividido entre a extrema direita de Marine Le Pen, partidos de esquerda e um governo centrista minoritário, o que dificulta acordos orçamentários.

A expectativa do governo é que o projeto seja aprovado ainda nesta terça-feira pela Assembleia Nacional e, na sequência, pelo Senado. Apesar disso, a medida é considerada provisória. “Precisamos de um orçamento o mais rápido possível para poder seguir adiante”, afirmou o ministro das Finanças, Roland Lescure, em entrevista à emissora BFM TV. Segundo ele, “quanto mais tempo durar o orçamento provisório, mais ele custa”.

A legislação emergencial permite que o Estado prorrogue os limites de gastos de 2025, continue arrecadando tributos e emita dívida pública enquanto um acordo definitivo não é fechado. Lescure destacou que a medida evita a paralisação total, mas impõe restrições. “Não haverá investimentos”, disse, acrescentando que salários do funcionalismo, serviços essenciais e o funcionamento das escolas estão garantidos.

A situação fiscal francesa aumenta a pressão sobre o governo. Investidores e agências de classificação de risco acompanham de perto o cenário, com o déficit público estimado em 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano — o maior da zona do euro.

O primeiro-ministro Sebastien Lecornu deve se pronunciar ainda nesta terça-feira. Ele enfrenta um Parlamento instável, onde disputas orçamentárias já provocaram a queda de três governos desde que Macron perdeu a maioria legislativa, em 2024. Em 2025, o uso de um mecanismo semelhante ao atual custou cerca de 12 bilhões de euros aos cofres públicos, segundo dados do governo citados pela agência Reuters.


Você está ouvindo

Cruzeiro FM 92,3 Mhz

A número 1 em jornalismo