Estudo revela mostra que “adolescência cerebral” vai até os 32 anos
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/11/2025
Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge e publicado pela BBC revelou que o cérebro humano passa por cinco fases distintas ao longo da vida — com mudanças profundas que ocorrem em idades-chave: 9, 32, 66 e 83 anos. Os resultados, publicados na revista Nature Communications, ajudam a explicar por que riscos de transtornos mentais e demência variam conforme envelhecemos.
A análise foi feita com cerca de 4 mil exames cerebrais de pessoas entre 0 e 90 anos, permitindo aos cientistas observar como as conexões entre neurônios se transformam ao longo do tempo.
Segundo a pesquisa, essas transformações não seguem um processo linear, mas sim ciclos marcados por reconfigurações intensas na rede cerebral.
🧠 As 5 fases do cérebro humano
1. Infância (0 a 9 anos)
Nesta fase, o cérebro cresce rapidamente, mas também elimina sinapses em excesso. Apesar desse desenvolvimento acelerado, o órgão funciona de forma menos eficiente — como uma criança explorando caminhos sem direção definida.
2. Adolescência (9 a 32 anos)
Aos 9 anos ocorre uma mudança abrupta: o cérebro inicia um período de eficiência máxima, fortalecendo e refinando conexões.
Segundo os pesquisadores, esta é a fase mais longa e intensa de reorganização cerebral — e também o período de maior risco para o surgimento de transtornos mentais.
É esta descoberta que reforça a ideia de que a “adolescência neurológica” termina muito depois da adolescência biológica, estendendo-se até o início dos 30 anos.
3. Idade adulta (32 a 66 anos)
O cérebro entra em sua fase mais estável. As mudanças continuam, mas em ritmo bem mais lento. Especialistas dizem que esse período se alinha ao “platô” da inteligência e personalidade observado na vida adulta.
4. Envelhecimento precoce (66 a 83 anos)
Não há queda súbita, mas uma reorganização: o cérebro passa a funcionar em “pequenos grupos”, com regiões trabalhando de forma isolada.
É nessa fase que costumam surgir doenças como hipertensão e demência.
5. Envelhecimento tardio (a partir de 83 anos)
As alterações se intensificam, embora o estudo tenha menos dados dessa faixa etária devido à dificuldade de encontrar cérebros saudáveis para análise.
🧪 “O cérebro se reconfigura o tempo todo”
A pesquisadora Alexa Mousley, que participou do estudo, afirma que a clareza com que essas fases apareceram nos dados foi surpreendente:
“O cérebro está sempre fortalecendo ou enfraquecendo conexões. E ele não segue um padrão constante — há ciclos e momentos de reconfiguração.”
Especialistas independentes elogiaram a pesquisa. A professora Tara Spires-Jones, da Universidade de Edimburgo, disse que o trabalho destaca “o quanto nossos cérebros mudam durante toda a vida”, enquanto o professor Duncan Astle ressaltou que diferenças na conectividade cerebral ajudam a prever dificuldades de atenção, memória e linguagem.
Os pesquisadores afirmam que esses resultados ajudam a compreender melhor a saúde mental, o envelhecimento e até mudanças comportamentais importantes — como as que muitos vivenciam no início dos 30 anos.
Com informações da BBC