Obesidade infantil supera a magreza em quase todo o mundo e acende o alerta de risco

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 18/11/2025

Um relatório conjunto alarmante divulgado pela Unicef e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) expõe o crescimento da obesidade em crianças e adolescentes, superando pela primeira vez, em quase todo o mundo, o número de crianças abaixo do peso. Intitulado “Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares Estão Falhando com as Crianças”, o estudo revela que uma em cada cinco crianças entre 5 e 19 anos está com sobrepeso ou obesidade, sendo mais de 80% delas vivendo em países de baixa e média renda.

O documento aponta que esse avanço é consequência de “ambientes alimentares tóxicos”, caracterizados pelo consumo massivo de ultraprocessados, pela publicidade agressiva direcionada ao público infantil e por políticas públicas que falham em priorizar a saúde.

O cirurgião bariátrico e médico responsável técnico do Hospital Amhemed em Sorocaba, Heitor Consani, reforça a gravidade do cenário. “Esse dado é um divisor de águas, mostra que, pela primeira vez, as crianças sofrem mais por excesso do que por carência. Estamos antecipando doenças que antes eram típicas da vida adulta: diabetes, hipertensão, apneia do sono e síndrome metabólica para dentro das escolas”, afirma o médico. Ele classifica o cenário como um “sinal de fracasso coletivo” que envolve políticas públicas, educação alimentar e o próprio sistema de saúde.

Médico responsável técnico do Hospital Amhemed, Heitor Consani, fala sobre esse fenômeno

Para Consani, a raiz do problema está no ecossistema em que a criança se insere. Onde a escola oferece ultraprocessados, onde telas substituem refeições em casa e onde a publicidade associa o açúcar a sentimentos, o ambiente se torna um “ecossistema que favorece o erro como padrão”.

O cirurgião destaca o fenômeno de adolescentes que têm chegado às salas de cirurgia com obesidade grave. Ele enfatiza que a cirurgia bariátrica nessa faixa etária é uma decisão excepcional, exigindo critérios rigorosos:

IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40.

Ou IMC de 35 com doenças graves associadas.

Falha no tratamento clínico prévio.

Maturidade física e emocional comprovada.

“O objetivo não é estético, é salvar um futuro”, explica o médico. A reflexão final de Consani sintetiza o desafio: “O futuro da obesidade não será decidido apenas nas salas de cirurgia, mas nas decisões diárias sobre o que oferecemos, incentivamos e normalizamos. Ambientes saudáveis salvam as próximas gerações.”


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