Lavagem milionária: PCC operava 60 motéis em nomes de laranjas em SP
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/09/2025
Uma investigação conjunta da Receita Federal e do Ministério Público revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) operava um amplo esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede com cerca de 60 motéis espalhados pelo estado de São Paulo.
De acordo com as autoridades, os estabelecimentos estavam registrados em nome de “laranjas”, pessoas que emprestavam seus nomes para ocultar os verdadeiros donos dos negócios. O esquema permitia que valores oriundos de atividades criminosas — como tráfico de drogas e armas — fossem “legalizados” com a simulação de receitas legítimas desses empreendimentos.
A investigação faz parte de uma nova fase do cerco financeiro contra o PCC, que já havia sido alvo de diversas operações anteriores. Segundo os investigadores, a facção está cada vez mais estruturada em seus mecanismos de movimentação e dissimulação de grandes volumes de dinheiro ilícito.
Além da rede de motéis, a apuração também revelou a compra de imóveis e veículos de luxo, bem como movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Os investigadores apontam que o uso de negócios formais, como os motéis, é uma das estratégias mais eficazes adotadas por organizações criminosas para burlar os sistemas de controle.
As diligências continuam, e os nomes dos alvos da operação não foram divulgados oficialmente. Mandados de busca e apreensão já foram cumpridos em diferentes cidades, e os materiais coletados devem aprofundar a apuração sobre o braço financeiro da facção.
As autoridades reforçam que a colaboração da sociedade é essencial para identificar práticas suspeitas e combater o avanço do crime organizado nas estruturas legais da economia.