Bactéria da Antártida produz composto promissor para alimentos, cosméticos e fármacos
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 14/09/2025
Um microrganismo encontrado em uma das regiões mais extremas do planeta pode revolucionar a indústria de alimentos, cosméticos, farmacêutica e até a produção de materiais biodegradáveis. Pesquisadores identificaram que o Bacillus licheniformis, isolado na Ilha Decepción, na Antártida, é capaz de produzir um exopolissacarídeo com propriedades superiores às de substâncias já usadas comercialmente, como a goma xantana.
O estudo é liderado pelo Instituto Antártico Chileno, com apoio da FAPESP, por meio do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e foi publicado no International Journal of Biological Macromolecules.
Adaptação em ambiente extremo
A Ilha Decepción é um ambiente poliextremo, sujeito a temperaturas elevadas e baixíssimas, radiação ultravioleta intensa e variações de pH. Para sobreviver, os microrganismos locais desenvolvem estratégias metabólicas especiais, como a produção de exopolissacarídeos – polímeros de açúcar que protegem as células contra desidratação, toxinas, pressão osmótica e ataques de vírus bacteriófagos.
No caso do Bacillus licheniformis, isolado de uma água fumarólica que atinge mais de 100 °C, o sequenciamento genômico revelou genes relacionados à biossíntese de exopolissacarídeos altamente resistentes ao calor e à radiação UV.
Potencial biotecnológico
Segundo João Paulo Fabi, professor da USP e coautor do artigo, o composto demonstrou desempenho superior à goma xantana, usada como espessante e estabilizante. Além de estabilidade térmica e tolerância a extremos de pH, o bioativo oferece proteção antioxidante, maior vida útil, melhor textura e estabilidade de emulsões.
“Essas características tornam o exopolissacarídeo um forte candidato para aplicações em alimentos funcionais, cosméticos, produtos farmacêuticos e materiais biodegradáveis”, afirma Fabi.