Morre Hermeto Pascoal, gênio da música universal, aos 89 anos, no Rio de Janeiro

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 13/09/2025

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal, um dos artistas mais inventivos e respeitados da música brasileira, morreu neste sábado (13), aos 89 anos, no Hospital Vitória, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família em publicação nas redes sociais do músico.

Segundo o comunicado, Hermeto faleceu cercado por familiares e companheiros de música. “No exato momento da passagem, seu Grupo estava no palco, como ele gostaria: fazendo som e música. Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva”, destacou a nota.

Hermeto deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos. Seu legado permanece como um dos mais ricos e originais da história da música mundial.

Da infância em Alagoas ao reconhecimento internacional

Nascido em Lagoa da Canoa, distrito de Arapiraca (AL), em 22 de junho de 1936, Hermeto era albino e, por isso, não pôde trabalhar na roça. Essa condição o aproximou dos sons da natureza, que marcaram toda a sua trajetória musical.

Autodidata, começou a tocar acordeão aos 10 anos e logo se destacou pela criatividade em produzir música a partir de objetos inusitados, como panelas, brinquedos, chaleiras e até animais. Aos 14 anos, estreou na Rádio Tamandaré, em Recife, ao lado do irmão José Neto, e depois integrou orquestras de rádio na Paraíba e no Rio de Janeiro.

Na década de 1960, já em São Paulo, fundou grupos como o Sambrasa Trio e o Quarteto Novo, ao lado de Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros. Com o quarteto, participou de festivais e acompanhou artistas como Edu Lobo e Marília Medalha.

Nos anos 1970, foi levado aos Estados Unidos por Airto e Flora Purim, onde gravou com Miles Davis — que o considerava “o músico mais impressionante do mundo” — e lançou álbuns como Slaves Mass. De volta ao Brasil, criou seu grupo fixo e registrou discos de referência, como A Música Livre de Hermeto Pascoal e Zabumbê-bum-á.

Hermeto também brilhou em palcos internacionais, como os festivais de Montreux (Suíça) e Live Under the Sky (Japão), e viveu momentos marcantes em parcerias com Elis Regina.

Reconhecimento e legado

Ao longo da carreira, Hermeto Pascoal foi três vezes vencedor do Grammy Latino e recebeu títulos de doutor honoris causa da Juilliard School (EUA), da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal de Alagoas.

Em 2024, lançou o álbum Pra você, Ilza, dedicado à sua companheira de vida, e foi tema da biografia Quebra tudo! – A arte livre de Hermeto Pascoal, de Vitor Nuzzi.

Sua última apresentação no Brasil aconteceu em junho de 2025, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, transformada em uma grande celebração de seus 89 anos.

Hermeto rejeitava rótulos e definia sua obra como “música universal”, transitando com naturalidade entre jazz, frevo, baião, música erudita e popular.

Homenagens

Em nota, a família pediu que os fãs homenageiem Hermeto como ele gostaria: “Quem desejar homenageá-lo, deixe soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira e ofereça ao universo”.

Além dos discos e composições, Hermeto Pascoal será lembrado pelo espírito livre, pela genialidade e pela capacidade única de transformar sons do cotidiano em música.


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