Editorial da Semana: Justiça ou Perseguição? 05/09/2025
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 05/09/2025
O Brasil atravessa um momento histórico.
O ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal, acusado de planejar um golpe de Estado após a eleição de 2022.
As penas previstas, em caso de condenação, podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Mas, ao mesmo tempo em que esse julgamento começa, cresce no Congresso Nacional uma proposta de anistia que poderia perdoar Bolsonaro e outros acusados pelos eventos de 8 de janeiro.
E é sobre isso que precisamos falar hoje, com clareza: mais do que um processo jurídico, estamos diante de uma disputa política e moral que vai definir os rumos da democracia brasileira.
O Supremo tem o dever de julgar com base em provas, mas o que vemos, até agora, se parece mais com um tribunal político.
Bolsonaro, goste-se ou não de sua figura, foi presidente eleito por milhões de brasileiros, e não pode ser tratado como um inimigo a ser eliminado.
Sua esposa, Michelle Bolsonaro, chamou esse processo de “tortura psicológica” contra a família.
E não é difícil entender por quê.
Desde o início, a forma como a investigação foi conduzida, os vazamentos seletivos e a pressão da opinião pública criaram um ambiente que em nada lembra a serenidade que a Justiça deveria ter.
Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, foi ainda mais longe: comparou a situação ao caso Dreyfus, na França do século 19, quando um militar inocente foi condenado injustamente, vítima de manipulação política e de preconceito.
Décadas depois, a história mostrou que Dreyfus era inocente.
Não estaremos, hoje, vivendo um roteiro parecido aqui no Brasil?
Há uma pergunta que continua sem resposta: houve de fato um golpe em preparação?
Ou o que vimos foi uma explosão desorganizada de protestos, manipulados por interesses que vão muito além de Bolsonaro?
A oposição tem razão em levantar suspeitas de que parte dessa narrativa pode ter sido alimentada pelo próprio governo para enfraquecer o adversário.
Não se trata de defender atos de vandalismo, mas de perguntar: qual foi, de fato, a responsabilidade direta do ex-presidente?
Até hoje, nenhuma prova conclusiva mostrou que Bolsonaro planejou um golpe militar.
É nesse contexto que a proposta de anistia surge não como um ato de impunidade, mas como um gesto político necessário para pacificar o país.
O Brasil já viveu experiências semelhantes.
Em 1979, a anistia ajudou a encerrar um ciclo de perseguições políticas, permitindo a transição democrática.
Hoje, mais de quatro décadas depois, precisamos de um novo gesto de grandeza.
Não se trata de esquecer os erros, mas de compreender que prolongar esse julgamento, estender tensões e alimentar o ódio não leva a lugar algum.
A democracia não se fortalece com perseguições, mas com reconciliação.
A insistência em transformar Bolsonaro em réu eterno não é apenas uma injustiça contra ele, mas também contra milhões de brasileiros que se sentem representados por suas ideias.
Ignorar essa base de apoio é negar a pluralidade da democracia.
Anistiar Bolsonaro seria um recado claro: o Brasil não pode ser governado pelo ressentimento.
O Congresso tem a chance de mostrar maturidade, lembrando que, em uma democracia, ninguém é dono da verdade absoluta — nem o STF, nem o governo, nem a oposição.
O julgamento de Bolsonaro, mais do que um processo judicial, se tornou um palco político.
Se o país quiser realmente virar essa página, será preciso coragem para reconhecer que a anistia é hoje o caminho mais justo e mais sábio.
Não se trata de passar a mão na cabeça de quem errou, mas de impedir que a Justiça seja usada como arma de perseguição.
A história mostra que sociedades divididas só se curam quando escolhem o perdão e a reconciliação.
Bolsonaro não é um criminoso comum.
É um ex-presidente que governou o Brasil com apoio popular.
Criminalizá-lo de forma seletiva não pacifica; pelo contrário, aprofunda as feridas.
A anistia não apagará as diferenças políticas, mas dará ao país uma chance de recomeçar sem o peso de um julgamento que, para muitos, já nasceu viciado.
O Brasil precisa olhar para frente.
E, nesse momento, perdoar é mais forte e mais necessário do que punir.
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