Avanço da febre oropouche preocupa especialistas e mobiliza autoridades de saúde em todo o Brasil

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 27/07/2025

Antes restrita à Região Amazônica, a febre oropouche já foi confirmada em 18 estados e no Distrito Federal em 2025. O Espírito Santo lidera com mais de 6 mil casos, tornando-se o novo epicentro da doença. O vírus é transmitido pelo mosquito maruim, típico de áreas úmidas e rurais, e provoca sintomas semelhantes aos da dengue, como febre e dores intensas.

“O cenário está muito relacionado com áreas de desmatamento recente, como o sul do Amazonas e norte de Rondônia, que facilitaram a dispersão do vírus”, explica Felipe Naveca, da Fiocruz. A doença também preocupa por seus efeitos em gestantes, podendo causar microcefalia, malformações e até óbitos fetais.

Pesquisadores atribuem 60% da disseminação da doença a fatores climáticos como o El Niño. Em nota, o Ministério da Saúde afirma que estuda o uso de inseticidas para conter o vetor e orienta a população a adotar medidas de proteção. “Os resultados preliminares são promissores para conter surtos e reduzir o impacto na população.”

No Espírito Santo, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, afirma que a época da colheita do café favoreceu a disseminação: “Trabalhadores circulam entre municípios e ajudam a propagar o vírus em áreas rurais e periurbanas”. Já no Ceará, a doença se espalhou das zonas rurais para centros urbanos como Baturité, que agora concentra grande parte dos casos.

“O controle do maruim exige ações complexas. Não basta eliminar criadouros como no caso da dengue. É preciso criar barreiras químicas entre plantações e áreas residenciais”, conclui Antonio Lima Neto, da Secretaria de Saúde do Ceará.


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