Monografia discute vulnerabilidade de idosos diante de empréstimos consignados
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 07/06/2025
Foi aprovada esta semana, em Sorocaba, uma monografia de conclusão de curso de Direito que lança luz sobre um tema delicado e, ao mesmo tempo, urgente: a fragilidade de pessoas idosas diante da oferta de empréstimos consignados.
O trabalho é assinado pelo estudante Douglas Moreira Salton, e traz como título “A hipervulnerabilidade da pessoa idosa consumidora frente ao Empréstimo Consignado”. A pesquisa analisa os motivos que tornam aposentados alvos preferenciais de instituições que oferecem crédito com desconto em folha de pagamento — um sistema que, embora legal, tem sido amplamente explorado por organizações que aplicam golpes e provocam prejuízos a quem mais precisa de proteção.
Douglas destaca que, mais do que descrever as práticas abusivas já conhecidas, o objetivo do estudo foi investigar por que os idosos, em especial, acabam sendo enganados com tanta frequência:
“A gente já sabe como os golpes funcionam. O que procurei foi entender as causas que tornam esse público tão vulnerável. É uma fragilidade que vai além da questão financeira, está ligada à solidão, à dificuldade com as tecnologias, à confiança excessiva em agentes supostamente oficiais.”
A monografia foi concluída antes mesmo da recente operação da Polícia Federal, que desmontou um esquema milionário envolvendo descontos indevidos nas aposentadorias pagas pelo INSS. Segundo as investigações, associações fraudulentas movimentaram aproximadamente 6 bilhões de reais de forma ilícita.
Douglas Salton tem uma trajetória marcada pela dedicação. Ex-metalúrgico, ele decidiu mudar de rumo, cursou Direito e hoje atua como estagiário em um escritório de advocacia. Seu foco são trabalhadores lesionados, pessoas com deficiência e, agora, também os idosos, grupo que demanda atenção especial do ponto de vista jurídico e social.
Com sua pesquisa, o acadêmico espera contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes e para o fortalecimento da proteção dos direitos da pessoa idosa no Brasil.
Em tempos de golpes cada vez mais sofisticados, reflexões como a de Douglas Salton são um alerta: é preciso mais do que leis — é preciso empatia, informação e vigilância.