Editorial: Uma política com prazo e propósito 16/05/2025

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 16/05/2025

Está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado uma proposta que pode marcar um novo capítulo na política brasileira: o fim da reeleição para cargos do Executivo — presidente, governadores e prefeitos — e a adoção de mandatos únicos de cinco anos.

A iniciativa, embutida na Proposta de Emenda à Constituição 12/2022, também sugere a unificação das eleições e a redefinição do tempo de mandato para outros cargos, como senadores, deputados e vereadores.

A proposta parte de um princípio claro: o sistema atual, com possibilidade de reeleição, favorece a política de curto prazo, o uso da máquina pública em benefício próprio e o enfraquecimento da alternância de poder.

Em vez de governar com foco na população, muitos gestores acabam tomando decisões de olho na próxima campanha.

É nesse ponto que o mandato único de cinco anos se torna um modelo mais equilibrado.

Ele oferece tempo suficiente para implementar políticas públicas consistentes, ao mesmo tempo em que elimina o estímulo à autopromoção e à manipulação do calendário eleitoral.

O gestor entra sabendo que terá cinco anos para deixar seu legado — sem reeleição, sem plano B, sem atalhos.

E mais: ao impedir a reeleição, fortalece-se o princípio democrático da alternância no poder.

A renovação de ideias, de lideranças e de prioridades passa a ser um processo natural, não mais emperrado por estratégias de permanência.

Políticos deixam de ser donos dos cargos.

São inquilinos temporários, como deve ser numa democracia saudável.

Outro ponto relevante é a proposta de unificar as eleições a cada cinco anos.

Hoje, o Brasil realiza eleições a cada dois anos, o que gera altos custos, cansa o eleitor e mantém o país em constante clima de campanha.

A unificação traria economia de recursos, reduziria a polarização e permitiria ao cidadão acompanhar com mais clareza o desempenho dos seus representantes.

É claro que há críticas.

Alguns argumentam que, com mandatos mais longos, maus gestores ficariam mais tempo no poder.

Mas a verdade é que hoje, com a possibilidade de reeleição, um mau governante pode ficar até oito anos.

A proposta, na prática, limita esse poder a cinco.

E o controle social, os mecanismos de fiscalização e a ação da Justiça continuam existindo para punir desvios.

Além disso, bons gestores não precisam de reeleição para seguir na vida pública.

Quem faz um bom trabalho ganha reconhecimento e pode se candidatar a outros cargos.

A política deve ser espaço de serviço à sociedade, não de construção de carreiras perpétuas.

Estamos diante de uma oportunidade rara de repensar o sistema político brasileiro com foco na eficiência, na ética e na responsabilidade.

Ao colocar um fim na reeleição e ampliar o tempo de mandato para cinco anos, o país se aproxima de modelos mais modernos e sustentáveis de gestão pública.

Que o Congresso Nacional tenha a sabedoria e a coragem de aprovar mudanças que fortaleçam a democracia, restabeleçam a confiança do eleitor e coloquem o Brasil no rumo de uma política mais limpa, mais focada e verdadeiramente voltada ao bem comum.

Governar é exercer um mandato com prazo — mas acima de tudo, com propósito.

E o propósito da política deve ser sempre servir, e não se servir.

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