Surto de pólio na Venezuela exige atenção redobrada no Brasil, alerta Sociedade Brasileira de Pediatria

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 15/06/2018

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma nota pública destinada aos médicos, à população e ao Governo com um alerta para a necessidade de atenção redobrada diante da detecção de um surto de pólio, na Venezuela.
No documento, a entidade, por meio do Departamento Científico de Imunizações, orienta os pediatras a “estarem atentos aos possíveis casos de paralisia flácida aguda e para a importância de sua adequada investigação”.
A preocupação cresce pelo aumento do fluxo de refugiados pelas fronteiras brasileiras, em especial nos Estados do Norte.
Para a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva, essa é uma situação que deve ser acompanhada de perto pelas autoridades, evitando-se o pânico, mas garantindo-se a adoção de medidas eficazes para proteger a população brasileira.
“A poliomielite é uma doença que deixou lembranças dolorosas. Foi corrente no Brasil e, graças ao esforço conjunto de todos, com participação ativa dos pediatras, foi erradicada. Por isso, é preciso estar atentos, vigilantes, para que ameaças externas não comprometam o bem-estar do nosso povo”, destacou, ao pedir empenho dos pediatras na orientação aos pais sobre a relevância de manter as cadernetas de vacinação em dia e ainda comunicarem casos suspeitos para investigação.
No texto divulgado, também é defendido a importância de se reforçar a “manutenção de elevadas e homogêneas coberturas vacinais para poliomielite em nosso País (acima de 95%)”, com o intuito de mantê-lo livre da pólio até que a erradicação global seja alcançada.
O alerta decorre da divulgação pela Sociedade Venezuelana de Saúde Pública, em 7 de junho, da existência de casos de paralisia flácida aguda (PFA) identificados no Estado de Delta Amacuro, na comunidade La Playita del Volcán, Parroquia Juan Millán, município Tucupita, cujos habitantes pertencem à etnia indígena Warao.
O primeiro caso ocorreu em uma criança de 2 anos e 10 meses de idade, sem antecedentes de nenhuma vacinação prévia, que após desenvolver o quadro de PFA, foi identificado poliovírus vacinal tipo 3.
Após a confirmação deste caso, a vigilância epidemiológica encontrou mais algumas ocorrências de PFA, de recente aparição, também em crianças, em uma comunidade vizinha, que continuam sob investigação.
De acordo com presidente do DC de Imunologia, dr Renato Kfouri, se trata de uma região extremamente pobre, com condições de vida precárias e com altas taxas de desnutrição e verminose, caracterizada por baixas coberturas vacinais, e que também vivencia, desde 2016, aumento de casos de difteria, sarampo, malária e tuberculose.
A SBP ressalta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), em 8 de junho, publicaram documento em que reiteram a importância de se obter e manter coberturas vacinais homogêneas para pólio superiores a 95%, e a necessidade de uma vigilância epidemiológica de alta qualidade para detecção de PFA, além de atualizar os planos nacionais de respostas a surtos de poliovírus.
Neste processo, o documento da SBP informa que a notificação das paralisias flácidas agudas é uma ação de grande importância em saúde pública no contexto da iniciativa global de sua erradicação. “Ela aumenta a confiança no controle da poliomielite em países que não relataram casos confirmados e que têm ausência de circulação do poliovírus selvagem, como o Brasil”.


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