O partido Unidade Popular (UP) oficializou neste domingo (26) a candidatura de Samara Martins à Presidência da República. Dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), Samara disputou as eleições de 2022 como candidata a vice-presidente na chapa liderada por Léo Péricles, presidente nacional da legenda.
Para a disputa deste ano, a UP lançou uma chapa exclusivamente feminina. A candidata a vice-presidente é a guarda-portuária Raquel Brício, do Pará.
A convenção nacional foi realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e reuniu filiados e representantes do partido, incluindo 13 candidatos aos governos estaduais, dos quais 11 são mulheres.
Durante o evento, Samara apresentou as principais propostas de sua campanha. Entre elas estão a reestatização de empresas privatizadas, a ampliação das contratações diretas pelo poder público e a revisão da destinação dos recursos do orçamento federal. Segundo a candidata, o objetivo é retomar o controle estatal sobre setores considerados estratégicos para o país.
A presidenciável também defendeu a realização de uma auditoria da dívida pública e a suspensão de parte dos pagamentos para ampliar os investimentos em áreas sociais.
“Uma das medidas que a gente considera fundamental é que o orçamento seja destinado às questões sociais, colocando o povo trabalhador no centro das prioridades”, afirmou.
Questionada sobre o desafio de disputar a eleição por um partido de menor expressão nacional, Samara criticou a desigualdade de acesso aos meios de comunicação e disse que a campanha será baseada na mobilização da militância.
Segundo ela, a estratégia será intensificar o contato direto com a população em bairros, escolas, universidades e locais de trabalho.
Participação feminina
Ao comentar a formação de uma chapa composta por duas mulheres, Samara afirmou que ampliar a representação feminina nos espaços de poder é uma das prioridades da legenda. A UP também lançou 12 candidatas aos governos estaduais entre as 17 disputas em que participa.
A candidata defendeu propostas como a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais pela disseminação de conteúdos de ódio contra mulheres e a inclusão da educação para igualdade de gênero nas escolas.
Samara também afirmou apoiar mecanismos que ampliem a participação de mulheres e pessoas negras em cargos de poder, inclusive no Congresso Nacional, argumentando que mudanças legislativas são necessárias para garantir maior representatividade política.