Anvisa alerta para o uso de retatrutida e reforça risco de medicamentos vendidos ilegalmente

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 25/07/2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que a retatrutida, substância em desenvolvimento para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ainda não foi aprovada para uso ou comercialização em nenhum país. Apesar dos resultados considerados promissores em estudos clínicos, o medicamento segue em fase de pesquisas e ainda não possui registro junto às autoridades sanitárias.

Segundo a agência, a farmacêutica Eli Lilly aguarda a conclusão dos estudos antes de solicitar o registro do produto. Até o momento, não há pedido de aprovação apresentado à Anvisa nem a outros órgãos reguladores internacionais.

Com isso, qualquer produto comercializado atualmente como retatrutida é considerado irregular. A substância já vem sendo anunciada em sites e redes sociais e também foi encontrada em apreensões realizadas nas fronteiras brasileiras.

A Anvisa alerta que medicamentos sem registro não passam por controle sanitário, o que impede qualquer garantia sobre sua composição, concentração, qualidade, armazenamento ou até mesmo sobre a presença da própria retatrutida na fórmula.

Estudos ainda estão em andamento

Embora a retatrutida esteja em uma fase avançada de desenvolvimento, a fabricante ainda precisa concluir todas as etapas exigidas para comprovar a eficácia e a segurança do medicamento.

Os estudos avaliam, entre outros fatores, quais doses oferecem melhor relação entre benefícios e riscos, os possíveis efeitos adversos, contraindicações, interação com outros medicamentos e a manutenção dos resultados ao longo do tempo.

Somente após a conclusão desse processo a empresa poderá solicitar o registro do medicamento. Em seguida, as agências reguladoras analisam toda a documentação científica, os processos de fabricação e os padrões de qualidade antes de decidir pela liberação da venda.

Resultados animadores

A retatrutida ganhou destaque após pesquisas apontarem uma perda de peso considerada expressiva.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet acompanhou 930 adultos com diabetes tipo 2 durante até 80 semanas. Entre os pacientes que receberam a maior dose da substância, a perda média de peso chegou a 28,3%, resultado significativamente superior ao observado no grupo que recebeu placebo.

Além da redução de peso, os pesquisadores observaram melhora no controle da glicose. Outros estudos também investigam possíveis benefícios para pacientes com apneia obstrutiva do sono e osteoartrite no joelho.

Apesar dos resultados, especialistas destacam que ainda são necessários mais dados para confirmar a segurança do medicamento antes de sua aprovação.

Como a substância funciona

A retatrutida pertence à mesma classe das chamadas “canetas emagrecedoras”, mas atua em três mecanismos hormonais simultaneamente.

Ela imita a ação dos hormônios GLP-1 e GIP, responsáveis por aumentar a sensação de saciedade e auxiliar no controle da glicose, além de atuar sobre o receptor de glucagon, mecanismo que pode elevar o gasto energético do organismo.

Por essa característica, a substância é considerada um medicamento de “tripla ação”.

Diferentemente da retatrutida, a semaglutida — presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy — atua principalmente sobre o GLP-1, enquanto a tirzepatida, utilizada no Mounjaro, age sobre os receptores de GLP-1 e GIP.

Produtos clandestinos oferecem riscos

A Anvisa ressalta que medicamentos vendidos ilegalmente representam riscos ainda maiores do que os possíveis efeitos da própria substância em estudo.

Sem fiscalização sanitária, não há garantia de que os produtos contenham a concentração anunciada, estejam livres de impurezas, tenham sido produzidos em condições adequadas ou sequer possuam o princípio ativo indicado no rótulo.

Além disso, medicamentos clandestinos não contam com bula aprovada, o que impede que consumidores conheçam doses recomendadas, contraindicações, interações medicamentosas e formas corretas de conservação.

Ainda não há previsão de lançamento

Como os estudos seguem em andamento e nenhum pedido de registro foi apresentado às autoridades sanitárias, ainda não existe previsão para que a retatrutida chegue ao mercado.

Mesmo sem autorização para comercialização, produtos anunciados como retatrutida já circulam no mercado paralelo. No Paraguai, uma empresa chegou a promover, em março, canetas que supostamente continham a substância durante um evento com influenciadores brasileiros.

Nos três primeiros meses de 2026, o valor das canetas emagrecedoras irregulares apreendidas na fronteira ultrapassou R$ 11 milhões, superando todo o montante apreendido ao longo de 2025.

Diante desse cenário, a Anvisa orienta a população a não adquirir nem utilizar medicamentos sem registro sanitário. Além dos riscos à saúde, a comercialização de produtos irregulares pode configurar crime.

Com informações do g1


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