Governo suspende uso da vacina do Butantan contra a dengue; 2 mortes são investigadas e 42 situações de efeitos adversos severos

Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 08/06/2026

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta segunda-feira (8) que a pasta vai suspender temporariamente o uso da vacina do Butantan contra a dengue. A medida será adotada para investigar um efeito adverso do imunizante.

Segundo o ministro, dois casos de morte são investigados, além de uma terceira situação classificada como grave. No momento, contudo, a pasta diz que não há “causalidade da vacina com a ocorrência desses três casos graves, mas [as situações] são um sinal de alerta”. Outras 42 pessoas relataram efeitos adversos que são investigados.

“Tivemos 42 reações adversas mais severas registradas. Algumas reações inesperadas porque não haviam sido observadas nos 16 estudos clínicos de fase 1, fase 2 e fase 3”, explicou Padilha.

O titular da Saúde defendeu que a descontinuidade da vacina “é uma ação de precaução que deve sempre guiar quem respeita a vida”. “Isso vai ser importante para que o Ministério da Saúde e a Anvisa aprofundem a investigação tanto dos 42 casos, tanto dos episódios de reação adversa severa. Identificar quem tomou na mesma época o imunizante, a cadeia de frios, questões de logísticas e aplicação, para investigar detalhadamente os 42 episódios”, reforçou.

Até o momento, 501.044 doses foram aplicadas. A vacina foi incorporada em janeiro, com uma estratégia de vacinação piloto em três cidades inicialmente: Nova Lima (MG), Maranguape (CE), e Botucatu (SP). Em seguida, o Ministério estendeu a vacinação também para os profissionais de saúde. O imunizante era destinado ao público-alvo de 15 a 59 anos.

Casos graves

Os três casos graves registrados pela pasta são de duas mulheres, uma de 39 anos e outra de 48 anos, e um homem de 58 anos. No caso da mulher de 48 anos, ela apresentou sintomas 19 dias após a vacinação e morreu. No caso do homem, ele iniciou quadro febril cinco dias após a imunização. Ele também morreu.

O que fazer?

Para quem se vacinou, no período de 21 dias após a imunização, o Ministério orienta observar sintomas como:

  • febre;
  • dor abdominal intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • tontura;
  • sangramentos;
  • sonolência intensa;
  • irritabilidade;
  • sinais de desidratação; e
  • piora do estado geral.

Monitoramento

As informações foram prestadas em coletiva de imprensa, com a presença da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente da pasta, Mariângela Simão, o diretor do PNI (Programa Nacional de Imunizações), Eder Gatti, e o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Leandro Safatle.

Durante a apresentação dos dados, o diretor do PNI ressaltou que a pasta vai orientar os municípios na investigação e suspensão da imunização. “A decisão não invalida a eficácia da vacina. As pessoas vacinadas usufruem do benefício da vacina de proteção da dengue. Essa decisão visa ganhar tempo para analisar os cenários e entender casos em que a vacinação supera os riscos”, disse.

A rede fica em vigilância permanente. As equipes de saúde serão orientadas a identificar os casos de sinais de alarme e gravidade e notificar o Ministério da Saúde”, explicou.

(Portal R7)


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