Receita Federal e Gaeco fazem operação contra esquema bilionário no setor de combustíveis em Sorocaba e Votorantim
Publicado por departamento de Jornalismo Cruzeiro FM 92,3 em 28/05/2026
A Receita Federal, o Ministério Público de São Paulo e órgãos parceiros deflagraram nesta quinta-feira a Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Operação Carbono Oculto, considerada uma das maiores ações de combate ao crime organizado no setor de combustíveis do país.
Na cidade de Sorocaba estão sendo cumpridos três mandados contra pessoas físicas e um mandado na cidade de Votorantim para pessoa jurídica. Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados.
A nova etapa da investigação mira um esquema de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e movimentações financeiras realizadas por fintechs utilizadas como bancos paralelos da organização criminosa.
Segundo a Receita Federal, as investigações identificaram mais seis fintechs usadas pelo grupo para movimentação e ocultação de recursos ilícitos. Juntas, as empresas teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
As apurações apontam que as fintechs eram utilizadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimentos ligados ao esquema criminoso.
De acordo com os investigadores, uma das instituições investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024, prática considerada incompatível com operações normais de instituições de pagamento.
A operação também aprofunda investigações sobre adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Segundo a Receita Federal, o esquema teria causado prejuízo de cerca de R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em apenas dois anos.
As investigações apontam que empresas de fachada simulavam a compra de nafta para uso industrial, mas o produto era desviado para mistura em combustíveis automotivos revendidos posteriormente em postos ligados ao grupo criminoso.
Participam da operação equipes da Receita Federal, Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Agência Nacional do Petróleo e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.