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Protestos em Milão terminam em confusão em meio a Olimpíada de Inverno

Um grupo de cerca de 100 manifestantes atirou fogos de artifício, bombas de fumaça e garrafas contra a polícia em um protesto na cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Milão, neste sábado (7).

A polícia, com equipamento antimotim e escudos, respondeu com canhões de água para tentar dispersar o grupo, alguns dos quais usavam capuzes e lenços para cobrir o rosto. A ordem foi restabelecida após alguns minutos.

Mais de 5.000 pessoas foram às ruas de Milão em protesto contra o custo da habitação e preocupações ambientais no primeiro dia completo dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão ou Cortina.

A marcha, organizada por sindicatos de base, grupos de defesa do direito à moradia e ativistas comunitários de centros sociais, busca destacar o que os ativistas chamam de modelo de cidade cada vez mais insustentável, marcado pelo aumento exorbitante dos aluguéis e pelo aprofundamento da desigualdade.

A segurança na capital financeira da Itália foi reforçada para os Jogos.

A manifestação foi vista como um ponto crítico após um protesto no último fim de semana na cidade de Turim ter se tornado violento, com mais de 100 policiais feridos e quase 30 manifestantes presos, de acordo com uma contagem do Ministério do Interior.

Os Jogos Olímpicos coroam uma década em que Milão testemunhou um boom imobiliário após a Expo Mundial de 2015, com os moradores locais pressionados pelo aumento vertiginoso do custo de vida, enquanto um regime tributário italiano para novos residentes ricos, juntamente com o Brexit, atrai profissionais para a capital financeira.

Alguns grupos também argumentam que os Jogos Olímpicos são um desperdício de dinheiro e recursos públicos, apontando para projetos de infraestrutura que, segundo eles, prejudicaram o meio ambiente em comunidades de montanha.

“Estou aqui porque estas Olimpíadas são insustentáveis ​​- economicamente, socialmente e ambientalmente”, disse Stefano Nutini, de 71 anos, em pé sob uma bandeira do Partido Comunista da Refundação.

Ele argumentou que a infraestrutura olímpica havia imposto um fardo pesado às cidades montanhosas que sediaram eventos na primeira edição amplamente dispersa dos Jogos de Inverno.

O Comitê Olímpico Internacional afirma que os Jogos estão utilizando, em grande parte, instalações já existentes, tornando-os mais sustentáveis.

À frente da procissão, cerca de 50 pessoas carregavam árvores estilizadas de papelão para representar os lariços que, segundo elas, foram derrubados para a construção de uma nova pista de bobsleigh em Cortina d’Ampezzo.

“Árvores centenárias, sobreviventes de duas guerras… sacrificadas por 90 segundos de competição em uma pista de bobsleigh que custou 124 milhões de euros”, dizia outra faixa.

Cibelle Freitas
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