Um laudo médico divulgado nesta sexta-feira (6) pela Polícia Federal (PF) apontou a presença de alterações neurológicas em exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no Centro de Detenção Provisória da Papuda (Papudinha), em Brasília.
De acordo com a PF, a avaliação neurológica foi motivada por um histórico recente de queda e dificuldades de equilíbrio ao caminhar.
“O histórico de queda recente e desequilíbrio ao deambular direcionou a perícia para um exame neurológico cuidadoso”, informou a corporação, acrescentando que foram identificadas alterações no exame físico e levantadas hipóteses compatíveis com as informações coletadas no caso.
No início deste ano, Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve após cair durante a madrugada e bater a cabeça em um móvel dentro da cela, quando ainda cumpria pena na Superintendência da Polícia Federal, também em Brasília.
O laudo médico menciona ainda a possibilidade de déficit de micronutrientes, especialmente vitaminas do complexo B, como vitamina B12 e ácido fólico. Segundo a PF, a hipótese leva em consideração fatores como a idade do ex-presidente, o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) com uso crônico de inibidores da bomba de prótons, além de uma dieta considerada pouco variada, com baixo consumo de frutas, verduras, legumes, laticínios, ovos e outras fontes de proteína.
Outra hipótese levantada no documento é a de interação medicamentosa, uma vez que Bolsonaro faz uso de diversos medicamentos. A PF destaca que a chamada polifarmácia é um fator reconhecido de risco para o aumento de eventos adversos.
Segundo a corporação, o uso simultâneo de fármacos que atuam nos sistemas nervoso central e cardiovascular cria um cenário considerado de risco, no qual efeitos como sedação, letargia, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão postural podem estar associados ao aumento da probabilidade de novas quedas.
Após a divulgação do laudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa de Jair Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem no prazo de até cinco dias sobre o conteúdo do exame. As partes também poderão solicitar eventuais complementações.
No despacho, Moraes afirmou ainda que não há necessidade de manter sigilo sobre a documentação apresentada pela Polícia Federal.
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