Jornalismo

Intoxicações alimentares podem aumentar até 30% nas festas de fim de ano, alertam especialistas

Combinação de calor, longas horas sem refrigeração e preparo inadequado torna este período o mais crítico para surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos

As festas de fim de ano representam um dos períodos de maior risco para surtos de intoxicação alimentar no Brasil, dados de vigilâncias epidemiológicas mostram que as notificações de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) podem subir entre 15% e 30% em dezembro e janeiro, impulsionadas pelo calor e pela conservação inadequada dos alimentos durante ceias e confraternizações. A tendência está alinhada a estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo as quais 600 milhões de pessoas adoecem anualmente por ingestão de alimentos contaminados, resultando em 420 mil mortes, com maior impacto em crianças pequenas.

De acordo com a nutricionista clínica Graziele Santos, do Grupo Amhemed, erros simples, mas frequentes no preparo e armazenamento da comida são os principais responsáveis pelos quadros de intoxicação. “O maior problema é deixar os alimentos por muito tempo fora da geladeira. As bactérias crescem rapidamente em temperatura ambiente, também é comum preparar pratos com muita antecedência sem refrigeração adequada, usar utensílios contaminados e servir carnes malcozidas, especialmente aves, que oferecem risco de Salmonela”, explica.

A especialista reforça ainda que pratos típicos dessa época, como maionese, salpicão, sobremesas cremosas, frutos do mar e carnes estão entre os mais sensíveis. “Esses alimentos só podem ficar até duas horas fora da geladeira, em dias acima de 30ºC, esse tempo cai para uma hora, depois disso, o risco de contaminação aumenta muito”, destaca Graziele. Para reduzir esses perigos, ela recomenda medidas práticas antes, durante e após as festas, como manter utensílios limpos, separar alimentos crus dos cozidos, repor pequenas porções ao longo do evento e refrigerar as sobras imediatamente, sem esperar que ‘esfriem’.

Já o nefrologista e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Amhemed, Dr. Francisco Antônio Fernandes, observa que os sintomas podem variar de incômodos leves a quadros graves. “Os sinais mais comuns da intoxicação são enjoo, vômitos, dor abdominal e diarreia, que podem durar de dois a sete dias. A situação se agrava com desidratação ou presença de sangue nas fezes”, afirma. Segundo ele, diferenciar um mal-estar passageiro de uma intoxicação que exige atenção médica imediata é essencial. “Febre persistente, dor abdominal intensa e diarreia com sangue são sinais de alerta que devem motivar busca por atendimento”.

O médico ressalta que crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas apresentam risco ainda maior. “As crianças podem ter uma resposta inflamatória mais intensa, enquanto idosos e pacientes crônicos possuem o sistema imunológico mais fragilizado, o que favorece complicações”, explica. Em casa, os primeiros cuidados incluem hidratação rigorosa, controle da febre e uma dieta leve e seca, evitando alimentos gordurosos ou muito doces, que podem agravar a diarreia. Dr. Francisco reforça que, na maior parte dos casos, a recuperação é completa. “A maioria dos pacientes evolui bem, desde que receba cuidados adequados”.

Para evitar sustos durante as comemorações, especialistas orientam atenção aos sinais de gravidade, como vômitos persistentes, febre acima de 38,5ºC, sangue nas fezes ou indícios de desidratação, especialmente em crianças menores de cinco anos, nesses casos, a avaliação médica deve ser imediata.

Cristiane Carvalho
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