Destaque

Nova tarifa dos EUA pode afetar exportações de Sorocaba e gerar desemprego

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% nas importações de produtos brasileiros acendeu o alerta entre empresários e economistas de Sorocaba. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode causar sérios impactos na economia local, já que 8,5% das exportações do município têm como destino o mercado norte-americano.

Segundo o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Domingues de Syllos, a tarifa afeta diretamente setores estratégicos da economia sorocabana, como o automotivo e o de máquinas pesadas. “Com uma taxação de 50%, inviabiliza-se a venda para os Estados Unidos. Isso deve provocar queda nas exportações, afetar o faturamento das empresas e, consequentemente, gerar desemprego, especialmente nas indústrias que têm grande dependência desse mercado”, alerta.

Além das exportações, Sorocaba abriga diversas empresas de capital norte-americano, o que reforça a preocupação com os possíveis desdobramentos da medida. Syllos destaca que é fundamental buscar alternativas para evitar prejuízos maiores. “É preciso negociar, encontrar novos caminhos e manter a relação comercial entre os países. Afinal, são mais de 200 anos de parceria que não podem ser encerrados por razões ideológicas ou decisões de governo”, afirma.

O economista Paulo Ricardo de Oliveira, delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon), também prevê efeitos negativos sobre a indústria local. Ele ressalta, porém, que o momento exige cautela. “Trump já recuou em medidas similares no passado. Ainda é incerto se essa tarifa realmente será implementada. Mesmo assim, empresas brasileiras já estão se movimentando e cogitam estratégias como exportações indiretas por meio de países vizinhos, como o Paraguai”, aponta.

Caso a tarifa entre em vigor, o setor produtivo deverá enfrentar um cenário de adaptação. O Brasil pode perder competitividade frente a países com acordos comerciais mais vantajosos com os EUA, e a substituição de produtos brasileiros por similares mais baratos de outras origens pode se tornar inevitável.

Para Syllos, é hora de priorizar o diálogo. “Temos que sentar à mesa e negociar com base técnica e comercial. A disputa não pode ser puramente política. As empresas precisam se organizar e apresentar propostas que preservem os empregos e a continuidade das exportações.”

Enquanto isso, Sorocaba aguarda definições concretas sobre a tarifa, em um clima de preocupação, mas também de articulação e busca por soluções para manter viva uma das principais rotas comerciais da indústria local.

Fernando Guimarães
Compartilhar

Notícias recentes

Ministério Público recebe duas representações sobre caso do “buraco fake” envolvendo Rodrigo Manga

O Ministério Público de São Paulo recebeu novas representações pedindo apuração sobre o caso que…

6 horas atrás

“O Diabo Veste Prada” ganha musical no Brasil estrelado por Claudia Raia

O filme "O Diabo Veste Prada" vai ganhar uma versão em musical no Brasil, estrelada…

8 horas atrás

STJ: ministro afastado por importunação sexual mantém salário de R$ 100 mil com penduricalhos

Afastado há mais de dois meses do cargo de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça),…

11 horas atrás

Operação Cata Treco em Araçoiaba da Serra acontece na segunda (27) em cinco bairros

Na próxima segunda-feira, 27 de abril, a Operação Cata Treco em Araçoiaba da Serra será…

11 horas atrás

Editorial: Quando os limites da democracia são testados

O embate recente envolvendo o ministro Gilmar Mendes, o ex-governador Romeu Zema e o ministro…

11 horas atrás

Piedade retoma leitos psiquiátricos após mais de seis anos

A Prefeitura de Piedade, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia, retomou a oferta de…

11 horas atrás