A condução das discussões do Plano Diretor de Sorocaba tem desagradado a população em geral, alguns políticos e entidades de representação. Uma das alegações é o pouco tempo destinado à análise da lei que define as regras e as estratégias para o desenvolvimento de uma cidade.
Hoje (7) pela manhã, por exemplo, nova audiência pública foi realizada, na Câmara Municipal. Mesmo com poucas pessoas presentes, o pouco tempo para manifestações — cada munícipe teve cerca de três minutos — foi a principal queixa do dia.
A corretora de imóveis Eliane Mello foi uma que se indignou com a falta de espaço para propor suas ideias e propostas. Tanto que revelou ao Cruzeiro do Sul que pretende colher assinaturas para um movimento popular com o objetivo de impedir a aprovação do Plano Diretor ainda neste ano. O seu desejo é que a votação seja realizada em 2025.
Para ela, “é importante que a sociedade seja ouvida com mais calma para podermos ter espaço e tempo para debatermos os temas importantes de cada bairro para depois serem levados ao Plano Diretor”. Eliane completa: “Não estamos tendo espaço suficiente para os questionamento e quando fazemos são limitados”.
A advogada Mariana Mazitelli e a psicóloga Laura Freitas, da Associação dos Moradores de Bairros Residenciais (AMBR) Jardim Pagliato e Região, também querem opinar sobre a nova lei. Elas, inclusive, apontam a falta de preocupação com o meio ambiente.
Também reclamam que, na região onde moram, as áreas residenciais estão sendo transformadas em prediais. “Eles [os defensores do Plano Diretor] falam que isso é uma transformação natural, que é o progresso. Isso é uma visão muito porca do que é progresso, muito pequena e egoísta. O progresso não é a verticalização, o adensamento e ilhas de calor, é uma série de questões que já trouxemos”, destaca Mariana.
Laura emenda: “Eu realmente comprei um lugar para morar com natureza e o que estão tentando fazer é acabar com a nossa natureza. Inclusive, estão tentando fazer uma malha viária que vai passar na Praça da Paz, onde temos remanescentes de mata atlântica”.
Outro que defende que a nova proposta para o Plano Diretor seja discutida com tempo é o vice-presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (Aeas) e presidente do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Comuplan),Henrique Deliberali.
Para ele, a discussão não deve ocorrer apenas a cada dez anos. “Não vamos deixar para o último ano, porque hoje tem tecnologia e Sorocaba é uma cidade pujante”, afirma. “Está vindo muita gente de várias cidades e estados a Sorocaba e esse crescimento exponencial. Então, por isso, tem de antecipar esse 10º ano e fazer essa manutenção do Plano Diretor para que seja revisto daqui três, cinco anos.”
O Plano Diretor é dividido em três eixos principais, separados por categoria: ambiental, viário e de zoneamento. Presente na audiência pública de ontem pela manhã, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Mauricio Campanati, garante que uma das prioridades é em relação à preservação ambiental.
Conforme ele, a prefeitura está preocupada com a resiliência climática e, por conta disso, há a proposta de aumento da área de preservação ambiental, em especial dos cursos de rios e córregos da cidade, bem como dos mananciais.
“É um grande passo que Sorocaba dá no sentido de sustentabilidade. Entendo que a cidade está crescendo, mas, mesmo assim, preocupada com a qualidade ambiental do município”, acrescenta.
Além de Campanati, o encontro na Câmara também contou com o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Glauco Fogaça; com o engenheiro sanitarista e ambiental da Secretaria de Planejamento, Tiago Suckow, e com o engenheiro civil Adilson Junior.
Em nota, a Câmara de Sorocaba informou que não existe a possibilidade legal de o projeto ser votado no ano que vem, de acordo com o disposto no Estatuto das Cidades. Assim, a votação como matéria final será realizada em sessão extraordinária agendada para 30 de dezembro. (Com informações do jornal Cruzeiro do Sul)
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