Violência sexual contra meninas de 10 a 14 anos representa quase metades dos casos (Foto: magnific)
A violência sexual contra crianças e adolescentes segue como uma das violações mais graves e silenciosas no país. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram um aumento das notificações registradas pelo sistema de saúde entre 2023 e 2024, principalmente entre crianças e pré-adolescentes de 5 a 14 anos — faixa considerada de maior vulnerabilidade.
Segundo o levantamento, os casos nessa idade saltaram de 26.125 para 29.135 notificações em apenas um ano.
Entre meninas de 10 a 14 anos, a violência sexual representa 45,5% das agressões notificadas. O relatório também aponta uma forte desigualdade de gênero: 86,9% das vítimas são do sexo feminino, contra 13,1% de meninos.
Para especialistas, os números revelam um crime estruturado em relações de poder e controle, tornando fundamental a atuação da rede de proteção e da sociedade.
O repórter Vinicius Lara entrevistou a conselheira tutelar Letícia Brasil, que analisou os dados apresentados e explanou sobre o assunto. Acompanhe a matéria em áudio abaixo:
Em Sorocaba, o Conselho Tutelar atua ao longo de todo o ano com ações preventivas, especialmente em escolas.
De acordo com a conselheira tutelar Letícia Brasil, o mês de maio recebe atenção especial em referência do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil.
“No Conselho Tutelar de Sorocaba, durante todos os meses do ano, realizamos ações, principalmente em escolas, levando palestras, conversando sobre o tema, explicando sobre quais são as maneiras de identificar e como a criança, o adolescente, ele pode se proteger, como a criança pode denunciar, entre outros assuntos”, falou Letícia.
“E no mês de maio, como nós temos o Dia Nacional do Combate à Exploração e o Abuso Sexual Infantil, intensificamos essas ações, principalmente com a educação, com a saúde, com a rede de assistência social, para que todos nós, com uma rede de proteção, consigamos alcançar o maior número de crianças, adolescentes e também, principalmente, os adultos”, completa.
A proposta é orientar sobre formas de prevenção, proteção e denúncia.
Um dos principais desafios é identificar quando a criança ou adolescente está sofrendo algum tipo de abuso.
Segundo Letícia Brasil, mudanças bruscas de comportamento costumam ser um dos primeiros sinais.
“A criança que era muito alegre pode ficar mais quieta, deixar de interagir. Ou uma criança que era retraída pode ficar muito agitada. Nos adolescentes também aparecem crises de ansiedade e pânico. São sinais que merecem atenção”, explica.
Ela reforça que responsáveis, familiares e pessoas próximas devem observar comportamentos diferentes do habitual.
Nem toda alteração significa violência sexual, mas mudanças repentinas merecem investigação e acolhimento.
Outro ponto delicado ocorre quando a vítima tenta relatar a violência e os pais acabam não acreditando. Nessas situações, o Conselho Tutelar realiza acompanhamento para avaliar o contexto e proteger a criança.
“Quando a criança chega para relatar alguma situação de violência ou de abuso que esteja sofrendo, e posteriormente ela conta para uma pessoa de confiança e o caso chega para nós, a gente sempre chama esse responsável para um atendimento, porque a gente quer entender quais foram os motivos, as razões que ele não validou a fala da criança”, afirma Letícia.
Caso a denúncia seja confirmada, medidas protetivas podem ser adotadas.
“Chamamos os pais para atendimento para entender com detalhes o que está acontecendo para que, posteriormente, a gente possa aplicar uma medida de proteção”, destaca Letícia.
A medida de proteção consiste em retirar a criança ou o adolescente de uma situação de risco e encaminhá-lo para um ambiente seguro, onde possa receber os cuidados necessários e ter seus direitos garantidos. O objetivo é assegurar a proteção integral do menor, oferecendo condições adequadas para seu desenvolvimento e bem-estar.
“Quando temos ciência de que esse pai, que essa mãe,m não validam a fala da criança, às vezes colocam em dúvida se aconteceu ou não, a gente sempre encaminha essa criança para um atendimento que temos em Sorocaba. Se chama Escuta Especializada”, explica a conselheira.
Esse atendimento é realizado em uma unidade de saúde por técnicos ou pessoas capacitadas de forma que não revitimize a vítima. É feita uma abordagem, de forma lúdica, em uma linguagem que aquela criança vai entender.
O objetivo é evitar que a vítima reviva o trauma ao repetir diversas vezes o relato da violência.
O serviço atende casos de violência sexual, física e psicológica.
Após a confirmação da violência, a vítima pode receber atendimento psicológico e social por diferentes serviços do município.
Segundo Letícia Brasil, Sorocaba possui uma rede estruturada de proteção.
“A criança pode receber acompanhamento pelo CAPS Infantojuvenil, posto de saúde de referência ou até por atendimento particular, quando a família possui convênio. O município dispõe desses mecanismos para garantir assistência completa.”
O Conselho Tutelar reforça que não é necessário ter certeza absoluta para denunciar.
A suspeita já é suficiente para que os órgãos façam a averiguação.
“Se a pessoa suspeita que uma criança ou adolescente está sofrendo violência, ela pode denunciar. O Conselho Tutelar fará a averiguação e, sendo procedente, tomará as medidas necessárias”, destaca Letícia.
As denúncias podem ser feitas por meio dos seguintes canais:
📞 125 — Conselho Tutelar de Sorocaba
📞 Disque 100 — Canal Nacional de Direitos Humanos
📞 153 — Guarda Civil Municipal
O sigilo é garantido.
Mais do que números, os dados mostram a necessidade de vigilância, acolhimento e denúncia. Em muitos casos, uma escuta atenta pode ser o primeiro passo para interromper a violência e proteger uma vida.
Duas rodas, um guidão… e uma paixão que vai muito além do lazer. O Dia…
O longa, que se chamará Minions & Monstros, será novamente dirigido por Pierre Coffin, que também comentou…
Foi prorrogado até o dia 8 de junho o período de inscrições para o Vestibular…
Uma mulher de 37 anos foi presa pelos crimes de estelionato e falsa identidade após…
https://youtu.be/-PIW7wuPUH4 O economista Renato Vaz Garcia comenta na edição desta quarta-feira (3) do Jornal Cruzeiro…
A Polícia Civil de Piedade, em ação conjunta com o Centro de Inteligência Policial (CIP)…