Onã: exposição inédita coloca a arte negra no centro da cena cultural de Sorocaba (Foto: Diego Dedablio - das obras originais de Diego Dedablio)
A força da ancestralidade, a urgência da memória e a potência da criação contemporânea se encontram em Onã, primeira mostra de artes visuais negras de Sorocaba, que abre ao público no próximo dia 28 de maio, às 19h, no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba. Gratuita, a exposição reúne artistas de Sorocaba, São Paulo e Tatuí em uma ocupação artística marcada pela diversidade de linguagens, pela valorização das narrativas afro-diaspóricas e pelo fortalecimento da identidade negra no território paulista.
Mais do que uma exposição coletiva, Onã se apresenta como um percurso de reencontro com a ancestralidade e de afirmação cultural. Proveniente do iorubá, o termo “Onã” significa “caminho”, conceito que orienta a curadoria ao conectar diferentes trajetórias negras dentro da arte contemporânea regional.
A mostra articula dois tempos: o presente, marcado pelos debates sobre desigualdade, violência e racismo estrutural; e o passado, convocado como espaço de memória, resistência e reafirmação de raízes. Nesse trânsito entre temporalidades, os trabalhos expostos propõem novas leituras sobre corporeidade, oralidade, vulnerabilidade social, poética periférica e estética negra contemporânea.
Com produção cultural de Magda Barbosa, orientação de Wellington Ataíde e expografia assinada por Ana Antunes, Onã ocupa o MACS com obras inéditas e comissionadas especialmente para o projeto. Das dez obras apresentadas, nove foram concebidas exclusivamente para a exposição, reforçando o caráter experimental da iniciativa.
A narrativa visual da mostra reúne diferentes segmentos artísticos. Nas artes plásticas, participam os artistas Ghum e Diego Dedablio. A linguagem audiovisual aparece na vídeo-performance de Daia Moura e na performance de Manu Neto. A fotografia dialoga com a pintura na série de foto-pinturas de Vine Ferreira. Já a artista Cíntia Delgado apresenta uma obra linguística ligada à memória do Quilombo Caxambu.
As instalações assinadas por Jhonatan Cardim e Vicente Alves ampliam a experiência sensorial da exposição, enquanto o compositor Carlo Rappaz contribui com um manifesto sonoro que atravessa a proposta curatorial. A mostra inclui ainda uma intervenção urbana em formato lambe-lambe, expandindo a ocupação artística para além das paredes do museu.
Inspirada em símbolos ancestrais como a Sankofa, adinkra da mitologia akan que remete à importância de retornar ao passado para construir o futuro, Onã questiona padrões tradicionais do circuito artístico e propõe uma estética centrada na cosmovisão negra.
A iniciativa acontece em parceria com o MACS e conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei nº 14.399/2022). À frente da produção está Magda Barbosa, produtora cultural atuante desde 2010 e reconhecida por projetos ligados à arte contemporânea, música e formação cultural em diferentes cidades paulistas.
Ao reunir artistas, pesquisadores e múltiplas linguagens, Onã transforma o museu em espaço de partilha, escuta e permanência. Uma exposição que não apenas celebra a produção negra contemporânea, mas também reivindica seu lugar central na construção da cultura brasileira.
O Macs fica na rua Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro. A exposição segue até o dia 28 de julho. Mais informações: @projetos.lamparina no instagram.
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