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Netflix paga R$ 500 mil para Suzane von Richthofen dar versão sobre assassinato em documentário

A Netflix pagou cerca de R$ 500 mil para Suzane von Richthofen conceder depoimento exclusivo para um documentário sobre o assassinato dos próprios pais, crime ocorrido em 2002. A informação foi divulgada pelo colunista Gabriel Vaquer, da coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.

Suzane não foi a única procurada pelo serviço de streaming. De acordo com a coluna, houve pagamento para familiares para autorizassem o uso de imagem e conceder entrevista. Entre os entrevistados está o atual marido von Richthofen, o médico Felipe Zecchini Muniz.

Segundo a publicação, o pagamento teria sido feito diretamente à Suzane. Procurada, a plataforma de streaming afirmou, em nota enviada ao portal Metrópoles, que não divulga detalhes sobre suas produções.

Documentário sobre Suzane

Após a repercussão da série Tremembé, Suzane von Richthofen decidiu voltar a falar publicamente sobre o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen. Ela concedeu entrevista para um documentário da Netflix ainda sem data oficial de lançamento.

O projeto foi revelado pelo jornalista Ullisses Campbell, na coluna True Crime. Segundo ele, Suzane aceitou contar sua versão da história, abordando desde a infância até o crime que resultou em sua condenação a 39 anos de prisão.

No depoimento, Suzane afirma que a casa onde vivia com os pais, local do assassinato, era marcada por cobranças e ausência de afeto, especialmente por parte do pai.

“Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo, mas era muito de vez em quando”, relatou.

Ela também afirmou ter presenciado episódios de violência doméstica durante a infância.

“Eu era criança. Meus pais botavam a gente para dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci para ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, disse.

O documentário também aborda o relacionamento dela com Daniel e Christian Cravinhos, condenados pelo crime. Suzane afirma que não participou do planejamento do assassinato, mas reconhece responsabilidade.

“A culpa é minha. Claro que é minha”, declarou.

A produção ainda mostrará aspectos da vida atual da condenada, incluindo o relacionamento com o marido, Felipe Muniz, e o filho do casal.

O caso reacendeu discussões jurídicas comuns em produções de true crime, gênero que costuma registrar grande audiência em serviços de streaming, tanto em obras ficcionais quanto documentais.

Em entrevista ao Metrópoles, o professor de Direito do Centro Universitário de Brasília, Leonardo Aquino, explicou que o pagamento não é automaticamente ilegal. Segundo ele, somente situações que extrapolem informações já presentes nos autos do processo poderiam gerar obrigação de indenização.

“Só haverá o direito de indenizar se aquilo extrapolar as situações dentro do processo que foi retratado. Vamos imaginar uma situação hipotética: se usa uma fotografia de uma pessoa retratada que não foi adquirida nos autos, obtida por outros meios sem a devida identificação da origem, é possível haver indenização”, afirmou.

A advogada Erika Lenehr acrescentou que a análise jurídica envolve o equilíbrio entre dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e a proteção à personalidade.

Segundo ela, a legislação não proíbe esse tipo de produção, desde que não haja invasão da vida privada ou da intimidade das pessoas envolvidas.

“A lei não vai proibir. A liberdade de expressão e de criação pode ser utilizada dentro de determinados parâmetros, desde que não adentre à vida privada e à intimidade daquela pessoa que cometeu o crime. Isso normalmente acontece quando há julgamentos ou suposições sobre o que a pessoa pensava ao agir daquela forma”, explicou.

Vinicius Lara
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