O estado de São Paulo registrou 56 casos de feminicídio nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgados nessa terça-feira (31/3). O número é um recorde negativo para o primeiro bimestre desde 2018, quando o crime passou a ser contabilizado.
Os dados mostram que, durante os dois meses, houve registros de quase um feminicídio por dia (0.96) no estado. A estatística é 33% maior que a registrada no mesmo período do ano passado.
Um dos casos que mais chocaram a população nos últimos meses foi a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. Ela morreu após ser encontrada, na manhã de 18 de fevereiro, com um disparo na cabeça, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, centro de São Paulo.
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita. Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não correspondia à hipótese de suícidio e a Justiça autorizou a prisão do marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
Com base em perícia técnica, ele seria o principal suspeito pela morte da esposa e por simular o suicídio da vítima. A Justiça Militar do Estado decretou a prisão preventiva do tenente-coronel no dia 18 de março.
Vitória Silva de Oliveira Pedroso, de 20 anos, também foi vítima de feminicídio, no dia 23 de fevereiro, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A jovem foi morta pelo ex-namorado e encontrada com sinais de estrangulamento.
A vítima foi achada morta dentro de uma casa, na Rua Júlio Manoel de Araújo. Bruno Rodrigues Martins, de 25 anos, foi visto fugindo de moto do local, mas foi preso em flagrante após confessar o crime à polícia e afirmar que havia sido traído por Vitória. Ele estava escondido na casa de uma irmã.
Vitória era estudante de psicologia e foi enterrada no dia 25 de fevereiro, no Cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra.
Ainda de acordo com os dados da SSP, outros crimes de violência contra a mulher cresceram nos primeiros meses de 2026. Somente em janeiro e fevereiro, foram registrados 564 casos de estupro consumado no estado de São Paulo — 6 a mais do que no ano passado.
As mulheres também são cada vez mais ameaçadas e não possuem segurança nem dentro de casa, apontam as estatísticas. Ao todo, foram oficializadas 18.698 ocorrências de ameaças e 726 invasões de domicílio no primeiro bimestre.
Apesar do aumento dos crimes de violência, o estado de São Paulo teve queda nos registros de roubos, furtos e latrocínios no primeiro bimestre do ano.
Os roubos em geral caíram de 30.180 registros no ano passado para 23.719 — queda de 21%. Somente na capital, as ocorrências acompanharam a diminuição, com 14.870 roubos, 15% a menos do que no mesmo período de 2025.
Em nota, a SSP disse que também caiu em 20% os roubos de celular. “Foram 8430 ocorrências registradas no período, ante 10.587 no comparativo com 2025”, disse a secretaria.
Segundo a polícia, as quedas acontecem no mesmo período de reforço das ações preventivas e desarticulação de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime. “O trabalho segue a linha de combate aos roubos em geral em São Paulo, que teve o menor número de casos no bimestre em 26 anos”, afirma a corporação.
A SSP também credita o número menor de roubos ao lançamento do aplicativo SP Mobile, que permite rastrear e cruzar informações para identificar os celulares roubados que foram ativados.
(Metrópoles)
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