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USP oficializa demissão de professor acusado de assédio contra alunos

A Universidade de São Paulo (USP) oficializou, nesta quarta-feira (11/2), a demissão do professor Alysson Mascaro, acusado de assédio e abuso sexual contra alunos. O desligamento foi publicado no Diário Oficial do Estado exatamente dois meses depois de a universidade decidir, em processo interno, pela demissão do jurista, que fazia parte do quadro da Faculdade de Direito.

O despacho da demissão, assinado pelo reitor da universidade, Aluísio Segurado, diz que uma “eventual interposição de recurso no prazo de 30 dias corridos” não poderá suspender a decisão.

A reportagem procurou a defesa de Mascaro, mas não teve retorno até a publicação deste texto. Em dezembro, a advogada Fabiana Marques, que lidera a defesa do professor, afirmou ao Metrópoles que não descartava acionar a Justiça e entrar com um mandado de segurança para manter o docente no quadro de funcionários da universidade.

Mascaro estava afastado do cargo desde o final de 2024, após uma série de denúncias virem à tona. Ele era professor associado da Faculdade de Direito da USP e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela mesma universidade, e é acusado, por ao menos 10 pessoas, de cometer assédio moral e sexual, além de abuso contra estudantes. Uma das vítimas conversou com o Metrópoles, em 2024.

O homem foi aluno e orientando de Mascaro durante a graduação. Ele contou que o professor tinha o hábito de chamar na própria casa os estudantes para quem dava orientação. “Ele não trata praticamente nada acadêmico na faculdade”, disse.

“Eu lembro que em uma dessas ocasiões, quando ele foi se despedir de mim, eu estava na casa dele, ele me deu um abraço e, quando eu me viro, ele me deu um tapa na bunda”, relatou o ex-aluno.

Além do assédio sexual, a vítima diz que era muito comum casos de assédio moral nos grupos de pesquisa liderados por Mascaro. Dentre as diferentes atribuições feitas pelo professor aos pesquisadores, estava também a gestão de suas redes sociais, o que demandava bastante tempo dos estudantes.

“A gente tem que ver as mensagens que estão chegando para o professor, e aí responder. Esse Facebook não é tocado por ele, ele não tem acesso e tudo mais, e aí a gente compartilha o e-mail dele caso a pessoa queira entrar em contato”, explicou.

Segundo o relato da vítima à reportagem, o trabalho demandava bastante tempo, e frequentemente era acompanhado de episódios de assédio moral.

“Em termos de assédio moral, eu acho que o fundamental aqui é exploração do trabalho dos orientandos, então não só comigo, mas também com outros”, contou.

(Metrópoles)

Cibelle Freitas
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