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STJ afasta ministro Marco Buzzi, denunciado por assédio sexual

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira, 10, afastar o ministro Marco Buzzi de suas atividades. Ele é alvo de duas denúncias por assédio sexual. Os ministros definiram ainda que vão julgar as conclusões da sindicância que apura os casos no dia 10 de março.

“O afastamento é cautelar, temporário e excepcional. Neste período, o ministro ficará impedido de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função”, diz a nota do STJ. A decisão ocorreu em uma sessão extraordinária da Corte a portas fechadas.

Os advogados que representam o ministro classificaram a medida como desnecessária e informaram que estão sendo colhidas “contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos”.

A decisão, segundo a Corte, foi “em sindicância já instaurada para apuração dos fatos a ele atribuídos”.

A primeira acusação veio à tona na semana passada, quando a família de uma jovem de 18 anos procurou ministros da Corte. Segundo os relatos, a vítima passava férias com os pais e a família do ministro no imóvel dele, localizado em Santa Catarina. O ministro teria tentado agarrar a jovem à força.

Além da sindicância no STJ, o caso está sendo investigado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta semana, o CNJ recebeu nova denúncia, de uma mulher que trabalhou com o ministro relatou fatos similares ao primeiro caso. Os dois processos estão sob sigilo no órgão. O segundo caso foi incluído na sindicância do STJ que já estava aberta.

Na nota, a defesa de Buzzi “manifesta respeitosa irresignação com o afastamento cautelar determinado em sede de sindicância administrativa”.

“Sustenta-se a desnecessidade da medida, sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico. Forma-se um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório”, diz o texto assinado pelos advogados Maria Fernanda Saad Ávil e Paulo Emílio Catta Preta.

“Aponta, por fim, que já estão sendo colhidas as contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos”, complementa.

Em manifestações anteriores, a defesa do ministro afirmou que ele não cometeu qualquer ato impróprio e que “a tentativa de julgar e condenar” o magistrado “antes mesmo do início formal de uma investigação” configura um “inaceitável retrocesso civilizacional”.

(Estadão)

Cibelle Freitas
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